Oásis da leitura em casa
Eu simplesmente não resisto a fotos lindas de estantes criativas ou de bibliotecas impressionantes. Acima, são os três ambientes que eu mais gostei entre os 20 selecionados pelo site Shelterness. Ter um espaço assim em casa é ter um verdadeiro oásis da leitura em pleno turbilhão da vida, com destaque para o terceiro, quase uma biblioteca da árvore. Pra quando eu crescer. Dica do Fred Navarro.
Rubião, disposição e girassóis
“O entusiasmo era contagiante. Febril. Uma alegria física inundava as faces que até a véspera permaneciam ressentidas. O que veio antes e depois ficará para mais tarde. Mas o que importa, se naquela manhã a alegria era desbragada!”

Para começar a semana, o início do conto A Casa do Girassol Vermelho, de Murilo Rubião. Está num livro de mesmo nome, com contos do mineiro que viveu entre 1916 e 1991. Numa dessas injustiças da vida, custou a ter a obra reconhecida. Uma bibliografia de 33 contos, tímida no número, porém valiosa no conteúdo.
Hoje, ele é reconhecido como um dos precursores da literatura fantástica no Brasil. Gênero que vou estudar, a partir dele, para a pós-graduação. Portanto, devo falar muito de Rubião por aqui ainda. De antemão, digo que vale a pena demais conhecer. Tem um site www.murilorubiao.com.br e aqui dá pra ler um conto.
Foto de Bernat Casero
Manuel Bandeira por ele mesmo
O próprio Manuel Bandeira (1886-1968) é o elenco do curta O Poeta do Castelo, de Joaquim Pedro de Andrade. No curta, o poeta encena sua rotina diária – levantar, esquentar o leite, trocar de roupa, andar pelo centro do Rio de Janeiro, em 1959 – com a sua voz ao fundo recitando alguns versos. São bons dez minutos para conhecer um pouco mais o pernambucano.
“De terras de minha terra, por outras terras andei. Mas o que ficou marcado no meu olhar fatigado foram terras que inventei.”
Em 1965, o cineasta publicou um depoimento sobre o filme, dos primeiros da sua carreira.
Quatro batidas secas
“Compreendi que destruíra o equilíbrio do dia, o silêncio excepcional de uma praia onde havia sido feliz. Então atirei quatro vezes ainda num corpo inerte em que as balas se enterravam sem que desse por isso. E era como se desse quatro batidas secas na porta da desgraça”.

Tirei do bloquinho, relembrando algumas poucas partes que gostei de O Estrangeiro, de Albert Camus. De modo geral, não curti o livro.
Foto de Jose Maria Cuellar.
Imagem de sexta-feira

Com a foto tão envolvente do Larry Page, eu desejo uma ótima sexta-feira para os visitantes do Menos um na estante ;)
Pode me chamar de Admirável Mundo Novo

Fahrenheit 451, de Ray Bradbury, fala de um mundo que eu espero nunca ver. Na narrativa, os livros são todos queimados e, para preservá-los, as pessoas escolhem um e o decoram palavra por palavra, passando a atender pelo título da obra. Então o Alessandro Martins, do Livros e Afins, propôs uma blogagem coletiva para hoje: se você fosse um livro em Fahrenheit 451, qual seria?
Não precisei pensar muito sobre o assunto para concluir que não deixaria o Admirável Mundo Novo, de Aldous Huxley, se extinguir do mundo. Sim, eu o decoraria palavra por palavra (ainda bem que é uma situação fictícia, pois minha memória é péssima!). É uma daquelas obras que você pensa: putz, não poderia passar pela vida sem tê-la lido.
Escrita em 1932, a obra de Huxley descreve uma sociedade no futuro onde as pessoas vivem em castas pré-determinadas na fecundação, pois elas são condicionadas biologicamente. No nascimento, elas também recebem intruções psicológicas e há a droga soma, cujo uso é indicado sempre que surgirem as totalmente inaceitáveis emoções: insegurança, medo, felicidade ou atitudes impulsivas como dar vazão ao amor.
É um mundo muito louco, mas não precisa pensar demais para encontrar inúmeras analogias com o que vivemos hoje. Não à toa, o livro serviu de inspiração para cinema, música, mais literatura. O Iron Maiden tem álbum e música chamados Brave New World, The Strokes tem música de nome Soma. O filme Equilibrium tem forte inspiração na história, bem como faz O Demolidor, com Stallone.
Ilustração criada por Ramsey Arnaoot
Design para estimular as crianças
Isso é que é estimular a leitura nos pequenos! Imagina que coisa divertida, essa cama em forma de livro. À noite, serve para dormir; de dia, basta “virar a página” e cair na brincadeira. A arte saiu da imaginação da fotógrafa Yusuke Suzuki. Esse foi um achado da Mariana Leal (lembra que eu mostrei minha estante no blog dela?), num blog bem legal de design chamado Snoop.









Márcia Lira. Leitora, blogueira, digital planner, jornalista, viciada em séries e em cinema, não vive sem gente.


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