Emma comprova: escrever não é mesmo fácil
“Aquelas palavras na tela representavam seu projeto mais recente, uma tentativa de escrever uma série de romances policiais comerciais e discretamente feministas. Aos onze anos Emma já havia lido tudo de Agatha Christie, depois também leu muita coisa de Raymond Chandler e James M. Cain. Parecia não haver razão porque não pudesse tentar alguma coisa do gênero, mas estava percebendo mais uma vez que ler e escrever não eram a mesma coisa: não se podia simplesmente absorver tudo e regurgitar.”
Ser escritor pode ser muito nobre, mas ninguém nunca disse que era moleza. Está aí Emma Morley, personagem de Um Dia, de David Nicholls, pra não me deixar mentir com dois trechos. Acima, é quando ela está tentando escrever o primeiro livro, o clássico bloqueio criativo, a auto-crítica. O outro descreve a primeira decepção com uma editora. Sempre foi difícil, tem que amar, tem que ser necessário.
“As portas do elevador se fecham e Emma desaba contra a parede enquanto desce os trinta andares, sentido seu entusiasmo coalhar na boca do estômago numa decepção azeda. Às três horas da manhã, sem conseguir dormir, tinha fantasiado um almoço de improviso com a sua nova editora. Imaginou-se tomando vinho branco gelado no restaurante Oxo Tower, entretendo sua companhia com envolventes histórias dos tempos de faculdade, e agora lá está ela, expelida de South Bank em menos de vinte e cinco minutos.”
Estou curtindo muito o livro, uma comédia romântica inteligente, cheia de referências e contada de forma criativa. Digo mais em breve.
Foto do Breathing Books.
Os cartuns da The New Yorker
Uma pequena seleção minha da seleção dos dez melhores cartuns da The New Yorker que brincam com livros, do editor de arte Bob Mankoff. Foram escolhas feitas para a estréia do blog sobre livros Page – Turner, no site da revista. Tem mais de onde esses vieram.
Uma imagem
Contemplo essa imagem e só me resta concordar quando a fotógrafa de arte Brook Shaden diz que cada imagem que ela cria é uma história. Uma cena linda e inspiradora para começar a semana. Se você amou essa foto, não deixa de conhecer mais do trabalho da artista: http://www.brookeshaden.com.
Vi no BookPorn
O Google Maps da literatura e da compra de livros
Quase todo livro tem um canto no mundo. Um país, uma cidade, uma região. E os livros sempre contam muito dos lugares. O negócio é que eu sou muito mal localizada, ruim de gravar referências e pouco senso de direção, é fato. Talvez por isso, nunca tenha me concentrado muito nas informações que as obras exibem dos lugares onde suas histórias acontecem. Até a última viagem que fiz: em Paris tudo o que eu queria era ler algum livro que acontecesse na cidade. Encontrei altos títulos pega-turistas – sinal de que todos os leitores tinham a mesma brilhante ideia que eu. Mas tudo se perdoa em Paris.
Foi uma época que coincidiu com a leitura do Travessuras da Menina Má, de Vargas Llosa, onde os lugares são personagens vivos de tanta importância que têm. Peru, França, Japão, a trama passeia e é como se a gente viajasse junto. Desde então, passei a ficar bem mais atenta ao lugar da literatura. E tenho achado uma delícia. Se eu nunca visitei, fico com vontade de ir explorar o lugar onde “aconteceram” os fatos, e se eu conheço, posso comparar com a minha experiência.
É aí que entra o Google, porque o Google sempre entra nas coisas. Imagina que você vai viajar no segundo semestre, que tal curtir desde já com algum livro? Dentro do Google Maps, foi criado um Mapa de livros e lugares, uma ferramenta colaborativa onde estão sendo marcados os espaços da literatura. Estão lá registradas obras que se passam no mundo todo, e você pode contribuir também. No Brasil, por exemplo, há vários marcados, como Grande Sertão: Veredas, de Guimarães Rosa.
Como estamos falando de geolocalizar a literatura, outra coisa interessante é o serviço The Book Depository Live, da maior loja online de venda de livros da Inglaterra, a Book Depository, pertencente à Amazon. Por meio de um mapa atualizado em tempo real, a ferramenta informa que livro acabou de ser comprado e de onde é o leitor. Se deixar, você fica na frente do mapa vendo que “someone in Australia bought Are you ready to play outside?” ou que “someone in Chile bought The Hunger Games” por um bom tempo. Aguça a imaginação.
A ferramenta mostra que as pessoas podem até não estar lendo tanto, mas comprando livros elas estão, e muito.
No tempo em que a publicidade vendia livros
Tenho pouco apego ao passado, em geral gosto das mudanças. Não é o caso da extinção da publicidade para livros em veículos tradicionais de comunicação. Essas fotos da revista Diretrizes, em 1944, são a prova de que o marketing do produto livro já foi bem mais evoluído, com direito a publicidade para chamar a atenção dos leitores para os novos títulos. Onde e por quê isso se perdeu?
Devia funcionar bastante, pois leitores de jornal são potenciais leitores de livros. E eram bons títulos, como Vestido de Noiva, de Nelson Rodrigues, e Romances Condensados, de Charles Dickens. Hoje em dia a maior propaganda de um livro é o boca a boca, alguns canais na internet, anúncios em revistas especializadas, e pronto, uma pobreza. Imagina andar na rua e ter um outdoor sobre um livro, ou abrindo o jornal ou assistindo à TV. Parece ficção científica.
Os achados são do blog Livros Etc., da Josélia Aguiar. Lá, tem mais imagens de anúncios antigos.
Grandes mães da literatura: uma homenagem
Hoje é o Dia das Mães. Embora muita gente critique pelo nível de apelo comercial, eu acho uma data linda. Todo dia é dia de ser filho, mas não é todo dia que os filhos têm uma postura agradecida por tudo que elas fizeram e fazem por eles. Dia bom pra babar a mãe, abraçar mais forte, estar junto, como farei com a minha. Para homenageá-las de um jeito Menos1naestante, convoquei as pessoas no Facebook a citarem grandes mães da literatura, se possível ilustrando com trechos. Vocês nunca me decepcionam e as respostas, como sempre, bem interessantes.
Ana Terra
do livro Ana Terra, de Érico Veríssimo.
Dica de Wanessa Bentowski.
E há ainda outra mãe na trama: a mãe de Ana Terra, D. Henriqueta.
Catelyn Stark
do livro As Crônicas de Gelo e Fogo, de George R. R. Martin.
Dica de Carlos Negreiros.
O próprio explica: “Uma mulher extremamente doce, mas que pode se tornar terrível, terrível mesmo, pra defender os filhos.” (E eu, que acompanho a série Game of Thrones, fiquei morrendo de curiosidade).
Dona Lola
do livro Éramos seis, de Maria José Dupré.
Dica de Marcos Almeida.
“O céu está sombrio e escuro, cinzento-escuro. O que foi minha vida em todos esses anos? Sacrifício e devotamento. É como viver sempre numa tarde assim de chuva, pesada de tristezas. Mas não devo me lamentar; se fosse preciso recomeçar novamente, novamente faria da minha vida a mesma que foi, de sacrifício e devotamento. Devo sentir-me feliz porque cada filho seguiu o caminho escolhido.”
Laila
do livro A Cidade do Sol, de Khaled Hosseini
Dica de Amanda Gânimo.
É a bravura da personagem Laila, que chama a atenção de Amanda.
Penelope Keeling
do livro Os Catadores de Conchas, de Rosamunde Pilcher.
Dica de Sandra.
O leitor acompanha a história da Família Keeling.
Senhora Pelagué
do livro A Mãe, de Gorki.
Dica de Anizio e Marcia Regina Munhoz.
Como vocês veem, sugestão de duas pessoas. Segundo Marcia Regina, o livro trata de uma mãe que vê seu filho envolvido cada vez mais na conspiração que resultou na revolta contra o czar na Rússia no começo do sec. XX. Aos poucos, graças a preocupação imensa que tem com o filho, ela também passa a tomar consciência da opressão e exploração que marcou sua vida toda (por ser pobre e por ser mulher).” E o trecho foi Anizio:
“Nós, gente do povo, sentimos tudo, mas não sabemos nos exprimir; temos vergonha, porque compreendemos, mas não sabemos dizer o que compreendemos. E muitas vezes, por causa desse embaraço, revoltamo-nos contra os nossos pensamentos. A vida bate-nos, tortura-nos de todas as maneiras e feitios, queremos descansar, mas os pensamentos não nos largam.”
Ursula Buendía
do livro Cem Anos de Solidão, de Gabriel Garcia Márquez.
Dica de Daniela.
”Entretanto, na impenetrável solidão da velhice, dispunha de tal clarividência para examinar mesmo os mais insignificantes acontecimentos da família que pela primeira vez viu com clareza as verdades que as suas ocupações de outros tempos lhe haviam impedido de ver.”
Lembrou de outra mãe dos livros que você acrescentaria nessa lista? Conta aqui nos comentários dizendo o nome da personagem, o livro, o autor e, se der, um trecho. Sempre que alguém tiver uma sugestão, atualizo esse post. Participem!
Um muito feliz Dia das Mães.
Faça como a Jennifer Lawrence
O negócio é fazer como a Jennifer Lawrence, de Jogos Vorazes e Inverno da Alma: ter sempre um livro à mão para aproveitar qualquer tempinho livre, ou um intervalo entre uma cena e outra. Simpatizo muito com a atriz, não sei ao certo se porque vou com a cara dela ou com a dos personagens que ela tem incorporado, e bem. Ela tem 21 anos e é A Queridinha mais durona, segundo esse ótimo perfil na Rolling Stone.
Do BookPorn.
Você, leitor, leve a salvação
Provavelmente muito impressionados com os dados decadentes de leitura no Brasil, um grupo se juntou e decidiu fazer alguma coisa. Um manifesto com som e imagens, nada de documentos. O resultado é o ótimo Só a leitura salva.
Baseado na premissa de que entregar livros não é o suficiente, o vídeo escrito convoca os próprios leitores, esse grupo especial, para pregar a literatura em praça pública. Porque só eles sabem o poder transformador que a leitura pode ter. Bom humor e manifestações públicas à parte, vale tentar catequizar pelo menos quem está ao nosso redor no trabalho, casa, universidade. Estamos convocados.
A produção é da agência Pele de Cordeiro. Dica de Adelmo.


















Márcia Lira. Leitora, blogueira, digital planner, jornalista, viciada em séries e em cinema, não vive sem gente.


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