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Ocupação Nelson Rodrigues no Recife

Publicado por em 25/08/2012 | Deixe um comentário

Foto 01: Ivson

Foto 02: Ivson

Cem anos Nelson Rodrigues faria no último dia 23, se vivo estivesse. As homenagens pelo centenário foram muitas na própria quinta-feira, e vão continuar ao longo do ano. Quem leu alguma obra do escritor e dramaturgo (e jornalista e provocador e amante de futebol) sabe que tamanha euforia em torno da data é merecida. E sabe ainda que não estão mentindo quando dizem que ele era um grande investigador da alma humana e seus limites.

Temas duros ganham uma leveza estranha na literatura de Nelson Rodrigues, só para mostrar o quanto estamos envolvidos com loucuras amorosas, sexuais, violentas. Quando li O Casamento, comprovei a admiração que sempre vem junto com o nome do escritor.

O autor de A Vida Como Ela É nasceu no Recife, e, para quem mora aqui, a Torre Malakoff abriga a Ocupação Nelson Rodrigues até 21 de outubro. Uma exposição que o homenageia por meio das suas próprias palavras, memórias e fotos, coletadas em jornais, pôsteres, revistas, entrevistas sonoras, visuais e impressas. Um programa interessante para o fim de semana.

Ocupação Nelson Rodrigues
Visitação pública: 24 de agosto a 21 de outubro
De terça-feira a sexta-feira, das 10h às 19h
Sábados, domingos e feriados, das 15h às 19h
Torre Malakoff (Praça do Arsenal da Marinha, s/nº, Bairro do Recife)
Entrada franca

Via Dulce Reis. Fotos de Divulgação/Ivson.

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No tempo em que a publicidade vendia livros

Publicado por em 14/05/2012 | 9 comentários

Anúncio Nelson em 1944

Anúncio Dickens em 1944

Tenho pouco apego ao passado, em geral gosto das mudanças. Não é o caso da extinção da publicidade para livros em veículos tradicionais de comunicação. Essas fotos da revista Diretrizes, em 1944, são a prova de que o marketing do produto livro já foi bem mais evoluído, com direito a publicidade para chamar a atenção dos leitores para os novos títulos. Onde e por quê isso se perdeu?

Devia funcionar bastante, pois leitores de jornal são potenciais leitores de livros. E eram bons títulos, como Vestido de Noiva, de Nelson Rodrigues, e Romances Condensados, de Charles Dickens. Hoje em dia a maior propaganda de um livro é o boca a boca, alguns canais na internet, anúncios em revistas especializadas, e pronto, uma pobreza. Imagina andar na rua e ter um outdoor sobre um livro, ou abrindo o jornal ou assistindo à TV. Parece ficção científica.

Os achados são do blog Livros Etc., da Josélia Aguiar. Lá, tem mais imagens de anúncios antigos.

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De leitor pra leitor, sugestões de presentes

Publicado por em 19/12/2011 | 3 comentários

Vamos lá, que este ano eu estou ajudando com os presentes de Natal. Depois das indicações de mimos aqui, perguntei aos leitores no Facebook, que livros eles gostariam de ganhar? Sugestões colhidas vão abaixo, com preços médios, para você não ir sem ideias para a livraria. Afinal, difícil presente mais certeiro para ambos os sexos do que oferecer uma boa leitura.

Indicações de Filipe Freitas

O Fim da Eternidade é um dos títulos do grande nome da ficção científica, Issac Asimov, que viveu entre 1920 e 1992. É uma das indicações de Filipe Freitas. A outra é As crônicas de Gelo e Fogo (os dois primeiros volumes de 5 lançados, saem por volta de R$ 69,90), do George R.R. Martin, base da série Game of Thrones, que estreou na TV causando alvoroço. Mas se for dar esse, certifique-se de que o seu presenteado ou gosta de ler ou é nerd o suficiente para iniciar a saga com esses dois calhamaços de 500 páginas.

indicações de Daniela Steagall

Nada de Novo no Front (L&PM Pocket, R$ 16), de Erich Maria Remarque, é a primeira sugestão da Daniela Steagall. Publicado em 1929, em um cenário belicoso, é um livro pacifista ao mostrar os horrores do ponto de vista de um jovem alemão. Tem também o clássico celebrado 1984, de George Orwell (Companhia das Letras, R$ 29,90).

Uma resenha do A História Sem Fim (Martins Fontes, R$ 42), de Michael Ende, no Livros e Afins dá uma ideia pra gente do porquê a Daniela o inseriu na lista. Parece que está fora de catálogo, mas na Estante Virtual sempre tem.

É o caso também de O Caçador de Andróides, de Philip K. Dick, sugestão da Aline Beuttenmüller. Esgotado, nem uma imagem decente eu encontrei, só tem alguns exemplares na Estante Virtual (ou talvez num sebo mais próximo de você), com preços entre R$ 25 e R$ 45.

Indicações de Larissa Brainer

Para Larissa Brainer, a lista de presentes cobiçados começam por Daytripper (Vertigo, R$ 52,20), de Gabriel Bá e Fábio Moon, os primeiros brasileiros consagrados com um Eisner, prêmio super importante na indústria dos quadrinhos. Na Revista O Grito, tem uma ótima resenha. O Anjo Pornográfico (Companhia das Letras, R$ 51,21), de Ruy Castro, sobre o escritor e dramaturgo Nelson Rodrigues, é sempre uma boa pedida.

O Apanhador no Campo de Centeio, clássico de J. D. Salinger, sobre o qual você pode ler mais no Digestivo. Dica de Larissa ainda é o mais famoso de Jack Kerouac, On The Road (L&PM Pocket, R$ 19,60), famoso por retratar a juventude pé na estrada nos anos 60. Não é a primeira vez que ele rola por aqui, Catarina sugeriu até um roteiro, começando dele, para entender a geração beat.

Outras indicações de Larissa Brainer

E, por último, Zen e A Arte da Manutenção de Motocicletas, de Robert M. Pirsig, que é meio difícil de encontrar, mas vi por R$ 52 na web. No resumo, “uma viagem de moto feita por um homem e seu filho durante as férias de verão transforma-se numa odisséia pessoal e filosófica”. Pelo jeitão, eu nunca leria, mas se Larissa indicou, eu boto fé.

Obrigada demais a todos que contribuíram! <3

Que você achou? Tem mais sugestões? Vai dar algum de presente? Conta nos comentários!

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Nuvem de Livros: biblioteca virtual à vontade a R$ 4 por mês

Publicado por em 14/11/2011 | 5 comentários

Site Nuvem de livros

A essa altura, todos sabem que a Fliporto 2011 está, como eu gosto de dizer, bombando. E embora ainda não tenha dado as caras na sétima edição da festa literária, abrigada no charme de Olinda, difícil um momento na programação que não prometa conteúdo. Entre questionamentos e livros, uma das coisas mais legais lançadas por lá, logo no primeiro dia, foi o Nuvem de Livros.

O projeto preenche a lacuna que ficou, desde que a Netflix começou a operar no Brasil. Afinal, se pode existir um serviço que cobra R$ 15 por mês e disponibiliza milhares de filmes para assistir por streaming, de alta qualidade, quantas vezes quiser, por que não um de livros? A Amazon anunciou estar trabalhando em algo parecido, mas os brasileiros se adiantaram.

Pagando R$ 0,99 por semana (R$ 4 por mês), é possível acessar todos os e-books da Nuvem, classificados em categorias que vão da literatura à filosofia, passando por ciências, enciclopédia, dicionário, artesanato. Como os primeiros dias são gratuitos, corri para me cadastrar e testar. Vamos ao que interessa.

Uma coisa que deve deixar muita gente de fora é que o Nuvem de Livros funciona agregado, exclusivamente, com a Vivo. Então, quem não tiver um celular da operadora não consegue nem efetuar o cadastro. Não é o meu caso. Então, coloquei lá meus dados e recebi minha senha via SMS.

No primeiro acesso, você indica seus assuntos de interesse e é convidado a montar seu avatar (achei um pouco desnecessário, mas tudo bem). A interface da ferramenta é do tipo mais-simples-impossível, onde em um mesmo campo de busca você procura um livro por autor, título ou palavra-chave.

Em relação ao que interessa (literatura!), no panfleto da Nuvem de Livros, estão propagandeados autores cujas obras ainda não estão lá: Twain, Ferreira Gullar, Nelson Rodrigues, Cony, Kafka. Por outro lado, tem muita coisa boa disponível: vários de Rubem Fonseca, alguns de Guimarães Rosa, Histórias Extraordinárias, do Edgar Allan Poe, algumas biografias, e trocentos Machados de Assis. Tudo em português.

Claro que ninguém deve se impressionar com a quantidade de Machado de Assis, pois a obra do autor é de domínio público. Para quem não sabe, a lei brasileira de número 9.610, de 1998, define que 70 anos após a morte do autor (a partir de 1 de janeiro do ano seguinte), a obra fica livre de direitos autorais. Nos EUA, o prazo é de 95 anos. Também vale para produtos audiovisuais e fotografias. No mesmo barco, estão Fernando Pessoa e Sigmund Freud.

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Balanço de fim de ano, ambições para 2011

Publicado por em 7/01/2011 | 2 comentários

Abri este espaço há quase 9 meses. Como tudo que é bom, passou tão rápido que nem senti ser tanto. Para marcar o fim do ano começo de 2011, custa nada fazer um balanço do que eu li desde que comecei o Menos um na estante. Afinal, esse blog é em primeiro lugar um projeto egoísta de estímulo à minha leitura, e logo em seguida objetiva incentivar o hábito de todos ;)

Livros lidos em 2010

Nessa brincadeirinha de números, não tem nem graça a quantidade ínfima de títulos que apreciei. Literatura e internet como ferramenta de trabalho são coisas que não nasceram para combinar. Mas a gente força e vai conseguindo, driblando. Teria até vergonha se já não houvesse um pequeno avanço e a consciência de que é um passo atrás do outro.

Todo o fôlego para 2011! Será preciso, pois abaixo estão só as últimas aquisições de fim de ano: uns ganhei de presente, outros o próprio dinheiro me deu. Com algumas mudanças na vida, espero dar mais conta. Se não tivesse às voltas com uma monografia de pós-graduação, traçaria até algumas metas, como a escolha de um clássico. Mas para quê criar objetivos irreais, não?

Livros para 2011

E você, quais foram as aquisições de fim de ano? Quais são as metas de leitura para 2011? Quero saber.

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Difícil escapar ao olhar íntimo de Nelson Rodrigues

Publicado por em 9/09/2010 | Deixe um comentário

Colocada na boca do monsenhor Bernardo, essa é uma das frases mais representativas do que é o romance O Casamento, de Nelson Rodrigues. É uma premissa válida, na minha opinião, para intimidade em geral, a privacidade em segundo, terceiro níveis. Imagine registrar num papel cada gesto, palavra, ou, pior ainda, todos os pensamentos – até aqueles rápidos – de um ser humano. Dificilmente alguém escaparia impune.

"O Casamento", de Nelson Rodrigues

É mais ou menos isso que Nelson Rodrigues faz.

Os personagens não poderiam ser mais triviais: um diretor de uma imobiliária, a filha com casamento marcado, a secretária submissa, a cafetina ousada, o padre conselheiro. Mas o escritor põe ao avesso cada um desses estereótipos mostrando como se encontra obscenidade numa pessoa comum. É bisbilhotando pelo buraco da fechadura, como o próprio dramaturgo define, que ele revela preconceito, adultério, assassinato, incesto, estupro, homossexualismo, e por aí vai.

Nessa minha primeira incursão na obra de Nelson Rodrigues, entendi o estilo único sempre citado quando se faz referência ao brasileiro. É desconcertante a naturalidade com que temas como esses são abordados em O Casamento. Com a propriedade de quem conheceu de perto as mazelas humanas como repórter policial do jornal carioca A Manhã, aos13 anos, o pernambucano descreve um assassinato ou uma orgia como se falasse de uma cena ocorrida num palco teatral.

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Não é coisa de mulher

Publicado por em 3/08/2010 | Deixe um comentário

Esculhambacao

Eu nunca entendi essa cisma com esse verbo e derivados. Tudo bem que ele não é nada bonito, mas tem tantas outras palavras feias que a gente usa sem pudor. Minha mãe sempre teve calafrios nas poucas vezes em que ousei proferir “esculhambado”, “esculhambação”, e reclamava ardorosamente.

E aí Nelson Rodrigues me vem com essa em O Casamento para me lembrar dessa convenção que eu aprendi sem compreender.

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Sobre desculpas, preços e presentes

Publicado por em 16/07/2010 | Um comentário

Descobri, por esses dias, que projeto de ler mais livros não combina com mudar de endereço enquanto se muda de emprego. É tanta coisa gritando por ser arrumada e resolvida, que outras importantes ficam em segundo plano. Ao mesmo tempo, é vida nova, descobertas. Isso só para justificar quase um mês sem postar nada.

Mudando de assunto, eu não costumo comprar livros porque tenho essa meta de ler os que eu já tenho. Curto ir na livraria dar uma olhada e me angustiar por tudo o que eu não estou absorvendo. Então, realmente fiquei espantada com os preços dos livros quando precisei lidar com eles de verdade. Escolhia um para dar de presente, um Érico Veríssimo. (Aliás, presentear com um livro parece algo tão simples. Só parece, porque é difícil descobrir uma obra cuja história gere interesse àquela pessoa em especial. Afinal, ninguém quer dar um presente que não ganhe uso).

Livros novos: "O Homem Proibido", de Nelson Rodrigues; "Só para mulheres", de Clarice Lispector; e "Travessuras da Menina Má", de Vargas Llosa.

Mas voltando ao $$, é difícil achar algo decente por menos de R$ 40. Mas tive que me render. Inclusive, não resisti à capa tão linda desse O Homem Proibido, na foto, que ainda leva a curiosidade de Nelson Rodrigues tê-lo assinado como Susana Flag. Para completar, meu aniversário trouxe acréscimos à estante – que não esvazia na mesma proporção em que enche: Clarice Lispector – Só para mulheres parece ser uma delícia. Imagina conversa de mulher-para-mulher com Clarice? E o outro é Travessuras da Menina Má, de Vargas Llosa, que há de inaugurar minha entrada no mundo desse autor.

E o ano já está no meio.

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