O sabor que tem, por Keila Brito
Mas se com a idade a gente dá para repetir certas histórias, não é por demência senil, é porque certas histórias não param de acontecer em nós até o fim da vida.
Em Leite Derramado, Chico Buarque.
Por Keila Brito*
Finalmente, Menos um na estante! Essa foi a vez do Leite Derramado, mais uma “composição” delicada, poética e surpreendente do Chico. Apenas pelo fato de ser Dele, confesso, já simpatizo com a obra antes mesmo de folheá-la. Mas depois de degustar gota a gota, me permito escrever com propriedade sobre o sabor que esse livro tem.
O Leite Derramado é um convite para mergulhar fundo nas lembranças, sonhos e devaneios de Eulálio. É o caminhar nas fantasias e realidades de um ancião que desfia seu rosário no leito de um hospital. Se existem ouvidos atentos ou não, pouco importa; ele continua a desfiar.
É como ler pensamentos em silêncio. Em uma desordem poética tão delicada que envolve o leitor na reconstrução dos “fatos”, despertando o desejo de um copo a mais a cada página virada.
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* Fica a dica de leitura da amiga querida, que sempre manda bem e com franqueza quando se dispõe a escrever. Obrigada pela participação, Keilha. ;)
A foto também é dela.
Indivíduo do sexo feminino
“Por um segundo imaginei
que ela não fosse uma mulher para se tocar aqui ou ali,
mas que me desafiasse a tocar de uma só vez a pele inteira.”
Budapeste, Chico Buarque

“Porque idênticas no andar,
não há duas mulheres no mundo,
nem as manequins, as gueixas,
nem mesmo irmãs gêmeas.”
Budapeste, Chico Buarque
“Vi então que as mulheres têm dentro delas
uma coisa que as faz entender
o que não é dito”.
A Força Humana, conto de Rubem Fonseca




Márcia Lira. Leitora, blogueira, digital planner, jornalista, viciada em séries e em cinema, não vive sem gente.


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