Leia o livro, veja o filme? 102 opções brasileiras
Lavoura Arcaica (foto) eu assisti. Lindo, denso, imperdível por si só.
Apenas um número limitado de vezes
“Porque não sabemos quando vamos morrer, nós começamos a pensar na vida como um bem inesgotável. No entanto, tudo acontece apenas um número limitado de vezes…’, soa a voz de velho do Paul Bowles, no final do filme que considero ainda mais belo do que o romance original. ‘Quantas vezes mais você vai se lembrar de uma certa tarde da sua infância, uma tarde que faz tão profundamente parte do seu ser, que você não pode sequer conceber sua vida sem ela? Talvez umas quatro ou cinco vezes, talvez nem isso. Quantas vezes mais você vai assistir ao nascer da lua cheia? Talvez 20. E, no entanto, tudo parece sem limites…”

Ah, um pequeno momento de felicidade é, assim, quando você constata que estava escrito pelo mundo um raciocínio que você sempre teve. Mesmo sendo uma ideia dura como essa. É encontrar um cúmplice, alguém que se debruçou sobre o pensamento com o qual você convive, expressando-o da forma ideal.
É instigante, mesmo tendo sido de uma leitura atrasada de uma revista. E mesmo sendo uma citação de um filme que eu não vi (O céu que nos protege, de Bertolucci), baseado na vida de um casal de escritores que eu não li: Paul Bowles e Jane Bowles. Não tem importância.
O trecho é de um artigo muito bom de Fernando Monteiro, Sob o sol de Tânger ou de Málaga, na Continente #115.
Foto do Flickr de Emiliano Zapata.
O que pode ser melhor do que me aconchegar aqui com você?
Ah, finalmente consegui recortar esse trecho de Direito de Amar(A Single Man, 2009) para colocar aqui. Primeiro que é uma cena linda do filme, tão sensível, requintado, fato para o qual pesa a mão do diretor estilista Tom Ford. Segundo que quebra de forma delicada aquela imagem de que a leitura é um ato solitário.
Não parece uma ideia tentadora ler de pernas entrelaçadas no sofá, trocando divagações? Ele lê A Metamorfose, de Kafka, e ele lê Bonequinha de Luxo, de Capote.




Márcia Lira. Leitora, blogueira, digital planner, jornalista, viciada em séries e em cinema, não vive sem gente.


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