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A mulher de vermelho e branco é “number one”

Publicado por em 17/10/2011 | Deixe um comentário

Capa do livro "A mulher de vermelho e branco", de Contardo Calligaris

“Number One” é uma gíria usada por uma das personagens-chave do livro de Contardo Calligaris, LeeLee. É uma escala onde um é uma maravilha e dez é péssimo. Colocaria A mulher de vermelho e branco (Companhia das Letras, R$ 39) no topo desse ranking (Ok, number three). O livro é do tipo que prende a atenção, porém de uma forma madura. Nada de tirar o fôlego ou de não conseguir parar de ler para dormir. É elegante. Por exemplo, você está trabalhando e se pega pensando na situação dos personagens.

Engraçado é que o apego não é ao protagonista da trama, o psicanalista Carlo Antonioni. Brasileiro, radicado em Nova York, é pelo ponto de vista dele que acompanhamos duas histórias intrigantes de mulheres bem diferentes. A primeira, a paciente Woody Luz, uma americana quase brasileira, mãe de dois filhos, com sérias dificuldades de relacionamento com o marido marroquino Khaloufi, sendo o choque-cultural um dos principais pontos.

E tem LeeLee, ex-namorada dele. Personagem tão especial que, se fosse no cinema, a atriz que a incorporasse seria uma das favoritas ao oscar de coadjuvante. Uma mulher vietnamita que passou por maus bocados ao fugir da guerra do Vietnã para encontrar refúgio em Paris. Décadas depois, LeeLee ainda tem uma obssessão por se livrar dos fantasmas do passado e é com a ajuda de Carlo que isso vai acontecer.

“Eu ficava com a impressão de que a jovem descolada, de uma hora para outra, denunciaria aquela senhora careta que ela vestia como se fosse uma máscara. Essa dualidade, essa contradição, eram vagamente inquietantes.”

Bom, Contardo Calligaris é doutor em psicologia clínica, um italiano radicado no Brasil, e não precisa de muito mais para perceber que Carlo Antonioni é um alter-ego dele. A mulher de vermelho e branco é a segunda incursão do escritor na ficção – depois de O Conto do Amor -, mais especificamente o segundo livro com o mesmo personagem central. A impressão que eu tenho é que o autor usa com tanta propriedade a experiência de mergulhar na mente humana que acaba fazendo do leitor o próprio paciente.

Carlo nos conduz pela história dessas mulheres, compartilha suas observações sobre o comportamento delas, até divide indagações e inseguranças. Mas ficamos bem longe de conhecermos ele a fundo. Exatamente como acontece numa terapia, quando pouco sabemos sobre a vida do psicólogo. O mistério é bem-vindo, nos deixa imaginar. No meio de uma investigação policial, o mais interessante é enxergar as situações como um grande parque de diversões psicológico.

Tenho que dizer que não encontrei um grande trabalho de lapidação de palavras na obra. O que não significa que não seja um texto inteligente e fluido. A minha aposta é que as próximas tramas do Calligaris serão ainda mais saborosas.

Pesquisando sobre ele, encontrei uma ótima entrevista na Marie Claire. Foi realizada em 2008, mas é tão legal como se tivesse sido feita hoje. Para se ter ideia, ele diz que o melhor filme sobre gravidez é Alien (1979) e que não tem interesse na felicidade: “a gente foi convencido pela ideia de que o sofrimento não deve fazer parte de nossas vidas”.

Foto de Contardo: Tom Cabral/ Santo Lima.

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Vontade de aprender

Publicado por em 5/09/2011 | Deixe um comentário

“No meu trabalho, não tenho vocação pedagógica. Prefiro enfrentar o desespero, a aflição ou mesmo a depressão a lidar com a vontade de aprender; sempre desconfio de que a vontade de aprender sirva para esconder dores que não querem ser ditas e que permanecerão seladas. Aproveitei para lembrar a ela que uma análise didática deveria ser de, no mínimo, três sessões por semana, e eu não disporia de horários para isso, nem na volta das férias.”

Trecho de A mulher de vermelho e branco, de Contardo Calligaris, livro que tem minhas atenções agora e foi um dos meus presentes. É a voz do personagem principal, um psicanalista que tenta se livrar de uma paciente. Ainda mais depois de saber que ela está se formando em psicologia. O autor é realmente pscanalista, e junta a investigação do humano com um pegada policial. Resultado é puro caso de amor. Vamos ver se vai até o final.

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Livro + relógio: uma agonia

Publicado por em 23/08/2011 | Deixe um comentário

Book Clock, por Shokoofeh Z.Dezfuli

Foi tanta identificação com essa foto, que eu estou aqui postando ela às 2h da madrugada. Amanhã serei pura cantiga de ninar. A ideia dos livros registrando o passar das horas, o passar do tempo e eles continuam lá na estante para serem lidos. Prioridades, procrastinação, preguiça. Pode dar o P que quiser, ou a falta dele, o certo é que é uma luta constante. Uma agonia.

No fim de semana, eu decidi me desapegar e simplesmente ler o que eu estava a fim: A mulher de vermelho e branco, do Contardo Calligaris, que ganhei de aniversário. Deixei um pouquinho o Vargas Llosa de molho. Mas não me arrependi pois de uma sentada só li 60 páginas, e fazia tempo que isso não acontecia. Depois conto mais.

Por sinal, o Calligaris vai participar de um bate-papo no 9o Festival Recifense de Literatura – A Letra e a Voz, no sábado (27/08), na Livraria Cultura.

Ah, o livro-relógio foi dica de Dulce e está à venda na Amazon. É obra do Shokoofeh Z. Dezfuli.

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Mais um ano na bagagem, mais cinco livros

Publicado por em 5/06/2011 | 4 comentários

30 anos

Pelo jeito, se eu chegar aos 90 anos (!) vai ser achando cada aniversário algo especial. Não entendo muito quem não gosta da data (nem quem não gosta de doce ou de queijo). Ficar mais velho não é argumento válido, pois, como escreveu Vinícius de Moraes, “a gente mal nasce e começa a morrer”. Eu fiz 30 aninhos na últma sexta-feira, essa idade marcante. Foi um dia bem feliz, de rever amigos, ganhar abraços e beijos, palavras bonitas, além de mimos em forma de objetos.

Entre eles, mais cinco livros para abarrotar a estante. São obras que eu não conhecia, nem esperava ler. Mas todos vindos de amigos inteligentes e queridos, não tenho dúvidas de que são ótimas aquisições. Na sequência, algumas informações sobre eles, pois já ficam as indicações.

Presentes 30 anos

O Nada me faltará, um dos mais novos do Lourenço Mutarelli conta a história de um homem que após desaparecer com a mulher e filha, reaparece misteriosamente sem elas e não se lembra do que aconteceu. Liberdade, de Jonathan Franzen, considerado um dos melhores de 2010, é um romance sobre excessos – de liberdade, de dinheiro, de opções e como todas essas possibilidades acabam fazendo com que as pessoas se percam em meio às dificuldades da vida contemporânea nos Estados Unidos.

Ganhei um do Contardo Calligaris, o segundo e novíssimo A mulher de vermelho e branco, para o qual foi produzido um trailer (e essa tendência de fazer trailer dos livros? post logo mais) intrigante.

Tem outro do Umberto Eco defendendo o objeto livro, mais especificamente uma coisa com a qual me identifico: a bibliofilia, ou o amor pelos livros. A memória vegetal vem somar, certamente, à leitura de Não contem com o fim do livro, do mesmo autor, que aguarda na minha estante. O quinto é Jakob Von Gunter, um diário, do Robert Walser. O cara é um escritor russo admirado por Kafka e Thomas Mann, um clássico. Não precisa mais, né? Vamos conhecer.

Agora estou ainda mais ansiosa para cair nessas páginas. Você já leu algum? Ouviu falar? Pena que só vou poder conferir depois de terminar minha monografia, no final do mês. Obrigada, Dulche, André, Thiago, Luquinhas e Gilberto pelos livros, e a todo mundo que fez o meu 3 de junho lindo, de qualquer forma.

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