Sem desculpas, James Joyce e Virginia Woolf de graça
Cada vez mais chego à conclusão de que: quem quer ler e não o faz, só age assim por desculpa. Tenho visto muitos projetos para baratear o preço dos livros, como as máquinas do Sudeste, ou até distribui-los. Sim, muitas iniciativas são fora do País, mas aqui começam a surgir algumas. Para quem tem internet, é ainda mais fácil. A começar pelos inúmeros grupos de troca de livros (depois vai rolar post), e os e-books gratuitos que o Google ajuda a encontrar.
Nessa hora, você pode alegar que não gosta de pirataria e eu vou lhe falar dos livros em domínio público, ou seja, obras que estão livres de direitos autorais. É o resultado de uma legislação que atua, com algumas variações, no Brasil e na Europa (EUA não entra na lista), e libera livros depois de no máximo 70 anos da morte do autor.
Por isso que as publicações de Machado de Assis estão vagando por aí há tempos, e todos os anos novos títulos deixam o grupo mais robusto. Em 2012, ficou disponível simplesmente toda a obra de James Joyce e a de Virginia Woolf. Coisa finíssima.
É bom ficar ligado inclusive porque eu já vi loja de e-books vendendo livros em domínio público.
Então, chega de enrolar: vai no http://www.dominiopublico.gov.br e aproveita. ;)
Vi no P2P e cultura digital livre. Foto do BookPorn.
Nuvem de Livros: biblioteca virtual à vontade a R$ 4 por mês
A essa altura, todos sabem que a Fliporto 2011 está, como eu gosto de dizer, bombando. E embora ainda não tenha dado as caras na sétima edição da festa literária, abrigada no charme de Olinda, difícil um momento na programação que não prometa conteúdo. Entre questionamentos e livros, uma das coisas mais legais lançadas por lá, logo no primeiro dia, foi o Nuvem de Livros.
O projeto preenche a lacuna que ficou, desde que a Netflix começou a operar no Brasil. Afinal, se pode existir um serviço que cobra R$ 15 por mês e disponibiliza milhares de filmes para assistir por streaming, de alta qualidade, quantas vezes quiser, por que não um de livros? A Amazon anunciou estar trabalhando em algo parecido, mas os brasileiros se adiantaram.
Pagando R$ 0,99 por semana (R$ 4 por mês), é possível acessar todos os e-books da Nuvem, classificados em categorias que vão da literatura à filosofia, passando por ciências, enciclopédia, dicionário, artesanato. Como os primeiros dias são gratuitos, corri para me cadastrar e testar. Vamos ao que interessa.
Uma coisa que deve deixar muita gente de fora é que o Nuvem de Livros funciona agregado, exclusivamente, com a Vivo. Então, quem não tiver um celular da operadora não consegue nem efetuar o cadastro. Não é o meu caso. Então, coloquei lá meus dados e recebi minha senha via SMS.
No primeiro acesso, você indica seus assuntos de interesse e é convidado a montar seu avatar (achei um pouco desnecessário, mas tudo bem). A interface da ferramenta é do tipo mais-simples-impossível, onde em um mesmo campo de busca você procura um livro por autor, título ou palavra-chave.
Em relação ao que interessa (literatura!), no panfleto da Nuvem de Livros, estão propagandeados autores cujas obras ainda não estão lá: Twain, Ferreira Gullar, Nelson Rodrigues, Cony, Kafka. Por outro lado, tem muita coisa boa disponível: vários de Rubem Fonseca, alguns de Guimarães Rosa, Histórias Extraordinárias, do Edgar Allan Poe, algumas biografias, e trocentos Machados de Assis. Tudo em português.
Claro que ninguém deve se impressionar com a quantidade de Machado de Assis, pois a obra do autor é de domínio público. Para quem não sabe, a lei brasileira de número 9.610, de 1998, define que 70 anos após a morte do autor (a partir de 1 de janeiro do ano seguinte), a obra fica livre de direitos autorais. Nos EUA, o prazo é de 95 anos. Também vale para produtos audiovisuais e fotografias. No mesmo barco, estão Fernando Pessoa e Sigmund Freud.
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Márcia Lira. Leitora, blogueira, digital planner, jornalista, viciada em séries e em cinema, não vive sem gente.


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