A resistência

Parece que essa cena é tendência, não é? Dica boa da @lbrainer.
Atualização: Eu nem sabia, mas a @caroltlima me mostrou que essa cena é só parte do É um livro, de Lane Smith, um livro infantil super bonito e premiado.
Um tempo para a leitura
Duas confissões: eu não conhecia o caderno do Estadão chamado Sabático. Nem sabia o que era sabático. Para quem também desconhece o termo: é um período de pausa nas atividades regulares para se dedicar a um projeto pessoal, bem explicado nesta matéria. Então eu me deparei com esse caderno cultural cujo slogan é: Um tempo para a leitura. E essa frase me chamou a atenção mais do que a publicação em si.

Eu tenho uma relação louca com o tempo. Eu me atraso; eu quero fazer mais do que os 60 minutos deixam; eu ainda me frustro constantemente por causa disso. Mas ele continua a passar, e a gente que cuide de fazer boas escolhas e a conviver com elas dentro dos limites dele. Para um jornalista, leia-se profissional-que-deve-saber-de-tudo (um tudo sem limites, já que eles foram quebrados pela internet), essas decisões são ainda mais angustiantes. Quando a gente coloca leitura no meio, então…
Ler realmente pede uma pausa. Lembro de um professor frisar aquele exato momento em que você está lendo um livro e algo nele lhe faz levantar a cabeça. Tem que ter tempo para refletir. Não é como clicar, curtir, retwittar. E esquecer depois.
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Mas que o “Ctrl + F” faz falta, faz

Aproveito a desculpa do cartoon do The New Yorker, que vi no Desculpe a Poeira, para contar que tenho acompanhado como posso todo o burburinho em torno dos e-books, impulsionado pelo lançamento de vários leitores digitais no mercado. Os e-readers derrubam a principal resistência ao livro eletrônico, que é o cansaço de se ler numa tela que reflete luz, como a de um computador.
Ainda são poucas opções no Brasil, mas isso é questão de tempo, assim como é para contarmos com um número cada dia maior de versões eletrônicas das obras à venda. Que vai mudar, é incontestável – a revolução no consumo da música está aí para provar. Mas ninguém sabe como as coisas vão se ordenar. Para ficar a par do assunto, recomendo o blog eBook Reader, que é um grande clipping do que sai na mídia brasileira sobre o tema.
A mim, dá um aperto só em pensar no fim dos livros em papel. É o apego à experiência tátil, ao cheiro do livro, ao cuidado visual, em guardar fisicamente aquela obra que mudou o meu jeito de ver a vida. E até – por quê não? – à sujeira que se acumula enquanto você ou alguém querido lê aquelas páginas: café, poeira, lágrimas. Eu tenho um A Paixão Segundo GHcomprado num sebo que veio com algumas anotações e uma dedicatória (a outra pessoa, claro) que mais parecem complementar o encanto de Clarice Lispector.
Mas que muitas vezes eu me pego louca para dar um “Ctrl + F” a fim de buscar alguma palavra ou frase dentro do livro… Ah, eu me pego sim.



Márcia Lira. Leitora, blogueira, digital planner, jornalista, viciada em séries e em cinema, não vive sem gente.


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