Dos melhores quadrinhos: Fracasso de Público
Sabe quando você trava na leitura, e uma hora se dá conta de que há meses não abre um livro? Para quem se se encontra nessa situação, e resolvê-la é uma meta para 2013, eu recomendo: recomece por Fracasso de Público. Você naturalmente vai entrar no ritmo da leitura, eu me responsabilizo. É uma série em quadrinhos com três volumes: Heróis Mascarados e Amigos Encrencados, Desencontro de Titãs e, o último, Adeus, todos escritos pelo Alex Robinson.
Conheci graças a Rick (A Prancheta), que insistiu para que eu pegasse emprestado os dois primeiros volumes. Se não fosse ele, talvez Sherman, Jane, Ed, Stephen, Irving e Dorothy tivessem passado por mim sem que eu percebesse. Antes de começar a ler, só sabia que tinha um personagem que trabalhava em livraria, com todas as agruras que isso traz.
Fracasso de Público aborda o dia a dia de um grupo de amigos em Nova York e seus dramas pessoais, recortes de suas comédias e tragédias. É difícil dizer o que é mais legal na série, se é a identificação automática com os personagens: jovens adultos batalhando para se sustentar, sem querer perder os sonhos de vista. Problemas universais, individualismo, as angústias da geração, está tudo lá.
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O Hobbit abriu o paladar para Tolkien
Ler O Hobbit, de J.R.R. Tolkien, só me deu mais vontade de entrar mais no mundo criado pelo escritor britânico. Principalmente porque a impressão que eu tive é a de que eu estava diante de uma obra mais simples de Tolkien. Na verdade, a impressão que eu comprovei. Porque um amigo muito inteligente literariamente falando tinha me alertado: “Lembre que O Hobbit foi escrito para o filho dele”.
Ok, diante da alta expectativa que tenho de Tolkien, isso evitou uma frustração. Não entenda que o livro é ruim, muito pelo contrário. É um bom livro, com uma grande história. É só porque eu esperava que Tolkien exigisse mais do leitor, o que não acontece – e há de ser proposital. Outra coisa importante de saber é que O Hobbit é o primeiro livro de ficção dele, lançado em 1937. É onde começou o desenvolvimento de toda a Terra Média e suas criaturas fascinantes.
É uma história sobre sair da zona de conforto, e se jogar no desconhecido e perigoso em busca de frio na barriga, e ainda colaborando para uma causa nobre. Uma grande história sobre isso. E também sobre voltar pra casa e se perceber alguém completamente diferente. O hobbit Bilbo Bolseiro é convocado pelo mago Gandalf para acompanhar os anões desempenhando o papel de ladrão na perigosa aventura para reaver a Montanha Solitária. O lugar que outrora era do povo deles, com todo o ouro que eles passaram muito tempo juntando, tudo roubado pelo dragão Smaug.
Nós somos gente simples e acomodada, e eu não gosto de aventuras. São desagradáveis e desconfortáveis! Fazem com que você se atrase para o jantar! Não consigo imaginar o que as pessoas vêem nelas.
Palavras de Bilbo, pouco antes de embarcar na aventura.
Depois de ver os três O Senhor dos Anéis e o primeiro O Hobbit no cinema, ler o livro trouxe uma sensação bem interessante. Ao mesmo tempo em que havia a familiaridade com os personagens, todos ficaram mais próximos e eu comecei a entender melhor as motivações de cada um e o funcionamento da Terra Média.
É um mundo fascinante esse em que as pessoas respeitam o que é dito de boca, ajudam oferecendo cama e banquetes a desconhecidos quando apóiam a causa deles, onde os grandes acontecimentos se transformam em canções entoadas de geração em geração. O fato é que me despertou uma vontade grande de ler todos O Senhor dos Anéis, e ainda ver todos os filmes de novo. A única coisa muito estranha é que não há mulheres na história, todos os personagens são masculinos. Tudo bem que na década de 30, as mulheres ainda estavam longe de ter o papel que têm hoje na sociedade, mas ainda assim é esquisito.
Comparando o filme O Hobbit, recém-lançado com o livro, posso dizer que há muitos detalhes diferentes. Sabe quando uma história é contada a fulano, que conta a cicrano, que conta a você? É como se ao recontar a história, os roteiristas preenchessem as lacunas que eles não lembravam do jeito que eles quisessem.
Mas no sentido geral, a transposição para o cinema me parece bem justa, passa o clima do livro. Pelo menos desse primeiro filme, que é apenas um terço da história. Fico particularmente feliz com o ator escolhido para interpretar Bilbo Bolseiro – já gostava muito do Martin Freeman na série britânica Sherlock, onde ele interpreta Watson. Vamos ver se tudo continua assim.
E para finalizar esse post com chave de ouro, uma galeria com capas antigas do livro, diretamente garimpadas daqui.
O Hobbit, o filme depois do livro
É estranho, mas as coisas boas e os dias agradáveis são narrados depressa, e não há muito que ouvir sobre eles, enquanto as coisas desconfortáveis, palpitantes e até mesmo horríveis podem dar uma boa história e levar um bom tempo para contar.”
Trecho de O Hobbit, de J. R. R. Tolkien, a minha atual leitura, que estou curtindo bastante. Apesar de ser uma experiência estranha ler depois de ter visto o primeiro filme. Eu já sei uma parte da história, e aí fico só comparando com o que vi no cinema, e muitos detalhes são diferentes. O que me leva a pensar o porquê de a produção mudar coisas pequenas, que aparentemente não fariam diferença.
Gostei muito do filme, mas odiei o fato de terem transformado um único livro em três filmes (a saga só acaba em 2014 :/). É comercialmente descarado demais. A única coisa boa é que logo vou chegar na parte da leitura onde o primeiro filme acaba, e aí sim estarei lendo sem pré-julgamentos.
Frisson do momento: Fracasso de Público
Grande leitora de quadrinhos eu não sou, mas de vez em quando curto fazer umas incursões. Os fãs de quadrinhos que me lerem vão me achar uma boba, mas fico ainda super-ultra-deslumbrada quando eles são sobre a vida real. Os resquícios de quem passou a infância toda lendo Turma da Mônica e sendo feliz. O deslumbre foi assim com Maus, do Art Spiegelman, que é absurdo de bom ao contar a história de uma família judia em meio ao holocausto. E aí me deparo também com a série Fracasso de Público (no original, Box Office Poison), do Alex Robinson, dividida em três volumes: Heróis Mascarados e Amigos Encrencados, Desencontro de Titãs e Adeus.
Só comecei a ler por causa de Rick, o craque de cinema do A Prancheta, que insistiu em me emprestar os dois primeiros volumes por causa de Sherman, o personagem livreiro. Devorei os dois e ontem corri na livraria pra comprar o Adeus, já um pouco saudosa. Depois de ler o terceiro livro, vou falar com propriedade aqui. Mas até agora a melhor definição para a série, eu encontrei na contracapa de um deles: “Um épico do cotidiano”. Recomendadíssimo. Entendam melhor vendo o trailer do primeiro livro acima, e Sherman pensando alto sobre seu relacionamento, abaixo.
Valeu, Rick!
Para se abraçar com Inverdades
Quando eu vi, tinha topado fazer a revisão. Fazia tempo que a gente conversava sobre escrever, ele falava sobre o novo projeto, eu tinha curiosidade. Tinha acabado de ler o primeiro título de Alex Luna, Elas e Outras Histórias, e achado legal. Um jeito muito peculiar de contar o amor e suas mulheres, as agruras e as delícias dos relacionamentos, todo tipo de referências. Mas eu sabia que tinha muito mais coelho pra sair desse mato. Então eu comecei a revisão do livro que quase se chamava Mentirinhas.
Bom, eu nunca revisei um livro. Tirei da minha gaveta a experiência de editar matérias do tempo de jornal e o que tinha aprendido sobre o que é e como se faz uma boa literatura. Com isso, tentei fazer algo útil. Quando mandei as primeiras revisões e Alex adorou, eu me empolguei pra ir em frente e me senti à vontade para dar ideias. Tarrask, como é mais conhecido, diz que fez muita diferença. Eu só acho que ajudei a dar um polimento no que já era bem bom.
Saiu o Inverdades: pequenas manifestações divinas em folhas de chá, marcas de sangue e manchas de batom. Um aposto auto-explicativo, uma edição digital com capa e ilustrações lindas da Cristina Santos. Faz um tempo que o e-book foi lançado, nem eu entendo como demorei tanto a contar por aqui. Acho que é a dificuldade de falar quando o envolvimento é grande (acabei de lembrar que nunca esmiucei a minha monografia sobre literatura fantástica por aqui).
São 16 contos com temáticas diferentes, abertos por um prólogo genial, costurados pela escrita de Alex e pelas referências a músicas e à mitologia grega. Pouco pude aproveitar desta última, por conta dos meus conhecimentos limitados. Mas achei interessante me debruçar sobre os trechos de canções, muitas que marcaram infância e adolescência, por causa dos significados diferentes que ganham ao final do conto.
Os textos são quase sempre interessantes, mas há momentos especiais pra mim. A obssessão de Abraão repudia Agar, o desfecho nelson rodrigueano de São Jerônimo Penitente, as atitudes redentoras de A história de Jonas, só para citar alguns. Fica difícil dizer o quanto a literatura de Alex amadureceu, só consigo pensar que o Inverdades dá à luz um escritor. Conheçam e me digam depois se concordam.
O Inverdades está disponível na Amazon por U$S 2,99.
PROMOÇÃO
Vejam que legal, Alex cedeu três cópias para eu sortear entre os leitores do Menos um na estante. Para participar, siga @menos1naestante no Twitter, e depois tuíte a seguinte frase (com o link).
Quero ler o novo Inverdades, do @tarrask, vou ganhar o e-book do @menos1naestante —> http://kingo.to/17WA
O prazo era hoje, quinta-feira, mas o Sorteie.me entrou em manutenção e prometeu voltar às 17h. Então as participações serão até sexta-feira, meio-dia, quando vai ocorrer o sorteio. Participem!
Woody Allen indica: os cinco livros preferidos
Estamos no quinto mês do ano, e daqui a pouco acaba o primeiro semestre. Um pouco de terrorismo para perguntar sobre aquela lista de livros que você prometeu ler em 2012. Ainda está de pé? Sobre a minha, se fosse uma competição, eu perderia fácil, mas continuo jogando. E se você está meio perdido sobre o que ler agora, que tal o top 5 do mestre Woody Allen? Você pode até não gostar dos filmes dele, mas que ele tem super bom gosto – vide referências nos filmes -, ninguém pode negar. Dá uma olhada nos preferidos dele.
1. The Catcher in the Rye, de JD Salinger (1951)
2. Really the Blues, de Mezz Mezzrow and Bernard Wolfe (1946)
3. The World of SJ Perelman (2000)
4. Memórias Póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis (1880)
5. Elia Kazan: A Biography, por Richard Schickel (2005)
Outra opção é ir na seção Indico do Menos um na estante, com posts sobre livros que eu e colaboradores recomendamos. ;)
Do The Guardian.
O Dia do Beijo por Julio Cortázar
“Toco a sua boca, com um dedo toco o contorno da sua boca, vou desenhando essa boca como se estivesse saindo da minha mão, como se pela primeira vez a sua boca se entreabrisse, e basta-me fechar os olhos para desfazer tudo e recomeçar. Faço nascer, de cada vez, a boca que desejo, a boca que a minha mão escolheu e desenha no seu rosto, e que por um acaso que não procuro compreender coincide exatamente com a sua boca, que sorri debaixo daquela que a minha mão desenha em você.
Você me olha, de perto me olha, cada vez mais de perto, e então brincamos de cíclope, olhamo-nos cada vez mais de perto e nossos olhos se tornam maiores, se aproximam uns dos outros, sobrepõem-se, e os cíclopes se olham, respirando confundidos, as bocas encontram-se e lutam debilmente, mordendo-se com os lábios, apoiando ligeiramente a língua nos dentes, brincando nas suas cavernas, onde um ar pesado vai e vem com um perfume antigo e um grande silêncio. Então, as minhas mãos procuram afogar-se no seu cabelo, acariciar lentamente a profundidade do seu cabelo, enquanto nos beijamos como se tivéssemos a boca cheia de flores ou de peixes, de movimentos vivos, de fragância obscura. E se nos mordemos, a dor é doce; e se nos afogamos num breve e terrível absorver simultâneo de fôlego, essa instantânea morte é bela. E já existe uma só saliva e um só sabor de fruta madura, e eu sinto você tremular contra mim, como uma lua na água.”
Ficaram sem fôlego? É um trecho do livro Jogo da Amarelinha (no original, Rayuela), de Julio Cortázar, publicado em 1963. Uma grande contribuição da leitora Paula Costa na fan page, que deixou o dia do beijo mais encantador e romântico.
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Foto de Zavarykin Sergey
Indicação #menos1naestante no Diario de Pernambuco
Todo sábado, o Diario de Pernambuco traz uma coluna sobre literatura, com algumas indicações de leitura e comentários sobre fatos do mundo dos livros. No último sábado, 04/02, o Menos um na estante deu as caras por lá, comigo indicando a leitura de Murilo Rubião a todos que gostam de literatura fantástica.


















Márcia Lira. Leitora, blogueira, digital planner, jornalista, viciada em séries e em cinema, não vive sem gente.


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