Balanço de fim de ano, ambições para 2011
Abri este espaço há quase 9 meses. Como tudo que é bom, passou tão rápido que nem senti ser tanto. Para marcar o fim do ano começo de 2011, custa nada fazer um balanço do que eu li desde que comecei o Menos um na estante. Afinal, esse blog é em primeiro lugar um projeto egoísta de estímulo à minha leitura, e logo em seguida objetiva incentivar o hábito de todos ;)

- Jerusalém – Gonçalo M. Tavares
- Os Meninos do Brasil – Ira Levin
- O Casamento – Nelson Rodrigues
- Memórias de Sherlock Holmes – Sir Arthur Conan Doyle (assunto de próximos posts)
Nessa brincadeirinha de números, não tem nem graça a quantidade ínfima de títulos que apreciei. Literatura e internet como ferramenta de trabalho são coisas que não nasceram para combinar. Mas a gente força e vai conseguindo, driblando. Teria até vergonha se já não houvesse um pequeno avanço e a consciência de que é um passo atrás do outro.
Todo o fôlego para 2011! Será preciso, pois abaixo estão só as últimas aquisições de fim de ano: uns ganhei de presente, outros o próprio dinheiro me deu. Com algumas mudanças na vida, espero dar mais conta. Se não tivesse às voltas com uma monografia de pós-graduação, traçaria até algumas metas, como a escolha de um clássico. Mas para quê criar objetivos irreais, não?

E você, quais foram as aquisições de fim de ano? Quais são as metas de leitura para 2011? Quero saber.
O horror do mundo cresce ou diminui?
Queria que do meu estudo resultasse um gráfico – um único gráfico que resumisse, que permitisse estabelecer uma relação entre o horror e o tempo. Perceber se o horror está a diminuir ao longo dos séculos ou a aumentar. Se é estável. Repara que se descobrir que o horror tem uma certa estabilidade histórica, que mantém certos valores, digamos, de cinco em cinco séculos, se conseguir encontrar uma regularidade, estarei perante uma descoberta fundamental (…).

“Pretendo chegar à fórmula que resuma as causas da maldade que existe sem o medo, essa maldade terrível; quase não humana porque não justificada. (…) E tal como se vê nas folhas quadriculadas de um eletrocardiograma a saúde ou a doença de um homem, eu verei no gráfico, resultado dos meus estudos, a saúde e doença, não de um único homem, não de um único indivíduo, mas dos homens no seu conjunto; do colectivo, da totalidade do mais relevante e objecto comportamento humano.”
Na digestão de Jerusalém, de Gonçalo M. Tavares, o trecho representa o que foi uma das coisas mais intrigantes da obra para mim: acompanhar os estudos de Thomas Busbeck, um psiquiatra que decidiu se debruçar sobre a História da humanidade para responder a essa pergunta que, diante de tanta violência, todo mundo se faz.
O personagem chega a uma conclusão, inclusive traça uma tabela onde aponta nações que sofrerão massacres no futuro ou o realizarão, causando grande polêmica e… não farei mais spoiler literário :) Para mim, essa é uma daquelas grandes perguntas cuja verdadeira resposta dificilmente virá à tona um dia.
Um livro para desencantar
“Para onde deve o homem dirigir o seu pensamento para não ser considerado louco?”
Ah, que felicidade é fechar a última página de um livro. Se for desses que deixam uma pequena cicatriz na alma, então. E Jerusalém (Ed. Cia das Letras, 2006), do angolano/português Gonçalo M. Tavares é assim. Uma boa história, contada sem linearidade. Forte, que aborda tantos temas caros como loucura, violência, morte, prostituição. Parece um filme. Daqueles onde você conhece alguns personagens e certas atrocidades nas suas vidas e depois sai da sala sem querer falar nada, digerindo.
“Por onde tens andado? – perguntou ela a Ernst. Que pergunta ao mesmo tempo cautelosa e violenta: ‘Por onde tens andado? Que ruas frequentas, que casas?’ Pergunta moral, e não geográfica.”
- Jerusalém, de Gonçalo M. Tavares
- O autor, Gonçalo M. Tavares. Foto: Teresa Sá
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Márcia Lira. Leitora, blogueira, digital planner, jornalista, viciada em séries e em cinema, não vive sem gente.


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