Lendo em Fernando de Noronha
Hoje é domingo e me parece um dia ideal para postar a inspiradora homenagem de Luquinhas ao Menos um na estante.
Ele tirou a foto durante uma temporada em Fernando de Noronha, a ilha turística aqui em Pernambuco. O livro? Quinta Avenida, às 5 da Manhã, sobre o filme Bonequinha de Luxo.
Então, arrume seu cenário inspirador agora – basta um cantinho aconchegante -, saia da internet e abra um livro.
A hora da gênia
Quem dera ter vivido na época em que Clarice Lispector era viva, a gênia, a musa. Nessa segunda-feira, ela completaria 92 anos. Apesar da banalização dos seus escritos, a literatura de Clarice continua forte, criando contemporâneos laços com quem a lê. A data é chamada A Hora de Clarice, e contou com muitas comemorações por aí.
Uma das mais louváveis foi o lançamento de um site especial sobre a escritora e suas obras, pelo Instituto Moreira Sales. Ou seja, um espaço nessa web de meu deus cheio de conteúdo sobre a autora e com credibilidade. Inclusive lembrei de um trecho em que ela dá dicas sobre a leitura, no livro Só para mulheres.
A leitura instrui e educa, eleva os pensamentos e faz com que as pessoas se irmanem melhor, compreendendo que vivem em comunidade, e como representante de um grupo devem proceder. A ideia de que formam um grupo, com características distintas, seguindo tradições e enfeixando responsabilidades as mais sérias, faz com que o homem ou a mulher se inclinem para a benevolência em relação aos seus semelhantes.
Esse é um bom caminho para o início da confraternização universal, de uma maior compreensão entre os povos e, por conseguinte, a esperança de um mundo isento de guerras e conflagrações. Os livros verdadeiramente bons muito podem fazer pelos homens de nossos dias.”
Para quem mora no Recife, a Livraria Jaqueira realiza uma homenagem à escritora durante todo o próximo sábado (15/12), a partir das 9h. Será palestra da escritora Fátima Quintas, atual presidente da Academia Pernambucana de Letras, mesa redonda, debates, leitura de crônicas e contos da autora homenageada. É aberto ao público.
Ocupação Nelson Rodrigues no Recife
Cem anos Nelson Rodrigues faria no último dia 23, se vivo estivesse. As homenagens pelo centenário foram muitas na própria quinta-feira, e vão continuar ao longo do ano. Quem leu alguma obra do escritor e dramaturgo (e jornalista e provocador e amante de futebol) sabe que tamanha euforia em torno da data é merecida. E sabe ainda que não estão mentindo quando dizem que ele era um grande investigador da alma humana e seus limites.
Temas duros ganham uma leveza estranha na literatura de Nelson Rodrigues, só para mostrar o quanto estamos envolvidos com loucuras amorosas, sexuais, violentas. Quando li O Casamento, comprovei a admiração que sempre vem junto com o nome do escritor.
O autor de A Vida Como Ela É nasceu no Recife, e, para quem mora aqui, a Torre Malakoff abriga a Ocupação Nelson Rodrigues até 21 de outubro. Uma exposição que o homenageia por meio das suas próprias palavras, memórias e fotos, coletadas em jornais, pôsteres, revistas, entrevistas sonoras, visuais e impressas. Um programa interessante para o fim de semana.
Ocupação Nelson Rodrigues
Visitação pública: 24 de agosto a 21 de outubro
De terça-feira a sexta-feira, das 10h às 19h
Sábados, domingos e feriados, das 15h às 19h
Torre Malakoff (Praça do Arsenal da Marinha, s/nº, Bairro do Recife)
Entrada franca
Via Dulce Reis. Fotos de Divulgação/Ivson.
Uma frase para o Dia Nacional do Livro
Conta a história que no dia 29 de outubro de 1810, a Real Biblioteca Portuguesa foi transferida para o Brasil. Daí, nasceu a Biblioteca Nacional e assim se criou o Dia Nacional do Livro. Podia ter uma história mais emocionante, né? Mas tudo bem.
O fato que é HOJE, e eu não podia deixar a data passar em branco, ainda mais depois de Martinha me provocar. Então, pensei numa coisa simples e divertida: compartilhar frases de livros legais. Assim, a gente conhece mais obras, troca opiniões.
Então, convoco vocês para abrir um livro que você goste, pegar uma frase legal e postar lá na fan page do Menos um na estante no Facebook. Depois reíno tudo e coloco aqui. Ah, ler muito é uma ótima homenagem também ;)

Um restaurante lúdico inspirado em Lewis Carroll
É incrível como a obra mais famosa de Charles Lutwidge Dodgson, ou melhor, Lewis Carroll, repercute ainda tão intensamente hoje. É até complicado contar quantas coisas foram criadas inspiradas em Alice no País das Maravilhas. Filmes, música, livros, fotografias e restaurantes.
Sim, eu não sabia – descobri aqui no site da Lab K - mas são quatro restaurantes Diamond Dinning em homenagem a Alice no País das Maravilhas. Esse das fotos é o 4°, e fica em Tóquio. Um desafio bem executado pelo estúdio de design japonês Fantastic. O filme de 1951 é a maior inspiração do espaço de 2 mil metros quadrados.
Um pouco do lúdico e do criativo para esta sexta-feira.
Os 112 anos do bruxo argentino, por Tiago Martins
Não criei personagens. Tudo o que escrevo é autobiográfico. Porém, não expresso minhas emoções diretamente, mas por meio de fábulas e símbolos. Nunca fiz confissões. Mas cada página que escrevi teve origem em minha emoção. (Jorge Luís Borges)
Hoje, se vivo, o viejo brujo estaria completando 112 anos. Vivo não está, mas permanecerá eterno. Com versos de uma simplicidade hermética, sempre preciso e afiado como um bisturi, Jorge Luís Borges segue embalando gerações de leitores em todo o mundo. A mágica de sua obra é a qualidade em dizer as coisas simples de forma transparente e lúcida. Borges nasceu Argentino, mas sua prosa e principalmente sua poesia é universal.

Existem grandes autores que para serem compreendidos necessitam de um grande esforço, que deixa o leitor, às vezes, exausto e sem interesse. Na obra de Borges, o arrebatamento e a sublimação chegam antes desse cansaço.
Jorge Luís Borges é desses autores que conseguem comunicar esplendidamente, que falam de maneira inequívoca às mentes e aos sentimentos. Era iluminado e luminoso, embora cego. Perdera a vista no ano de 1955.
Aos oitos anos, Borges decidiu que seria escritor. Pegou da pena e do lápis e, escreveu seu primeiro conto: La visera fatal. Oitenta anos depois, mesmo cego, velho, encurvado sob o peso da idade e sob o signo da descrença, ainda prosseguia ditando as palavras. Sua mãe, Leonor e sua secretária particular, amiga e no final da vida esposa, Maria Kodama eram seus olhos. Seguiu publicando livros que ditava por inteiro, cada vez mais belos. Esperava-se o Nobel, que não chegou até a sua morte em 1986.
“Não, não tenho nenhuma sabedoria”, afirmava o Bruxo quando lhe comentavam ser o último sábio sobre a Terra. Completava arrematando: “Li e reli quase sempre os mesmos livros”. Falava, com certa ironia na voz forte e marcante; era sábio sim.
—-
Vocês acabaram de ler a contribuição especialíssima do amigo Tiago Martins. Grande leitor, já tinha indicado 5 autores para se ler no inverno por aqui. Obrigada, Tiago :)
Para quem gosta do autor argentino, vale também escutar no blog do Almir de Freitas 26 textos de Borges lidos pelo próprio.
Hoje, não se falou em outra coisa por causa da homenagem do Google.











Márcia Lira. Leitora, blogueira, digital planner, jornalista, viciada em séries e em cinema, não vive sem gente.


Comentários