Granada-Barcelona-Paris, das andanças e dos livros
Quando eu entrei no avião, uma das poucas coisas consistentes do roteiro que eu tinha preparado era a intenção de visitar um lugar “Menos um na estante” que fosse, entre Espanha e França. Porque quando se faz uma viagem dos sonhos dessa, por tão pouco tempo, com a aspiração de absorver um continente inteiro e decidindo em conjunto com mais três pessoas, é difícil ter certeza de qualquer coisa.
Depois eu descobri que teria isso mesmo sem planejar, porque é assim que eu senti a relação com os livros por aquelas bandas: um movimento natural. A minha primeira parada foi em Granada, uma das cidades mais lindas da Espanha. Bom, em tese eu não teria como dizer isso, pois só a conheci e espiei Barcelona. Só que é uma cidade tão acolhedora e encantadora que eu mentiria por ela.
E aí que, entre um bar e outro, experimentando “tapas” (petiscos que acompanham as rodadas de bebidas), terminamos num dos lugares preferidos da minha amiga que mora lá, o Poë. Um pub charmoso onde as pessoas se apertam entre um gole e outro. E, não – eu perguntei! -, não é uma homenagem ao Edgar Allan, é o nome de família do dono.
Apesar disso e do pouco espaço, tinha lá no cantinho uma estante abarrotada de livros e o cartaz: “Books for sale: € 1″. Imagina, você toma uma e leva um livro pra ler no dia seguinte pelo equivalente a… R$ 2,50? Coisa linda demais.
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Uma livraria salva por um tweet
A Broadway Books era uma livraria independente em crise, em Portland, Oregon, nos Estados Unidos. Infelizmente, uma situação cada vez mais comum no mundo diante da força dos grandes magazines de livros. Quando Roberta Dyer, a proprietária, contou a situação ao filho, o motivou a usar o Twitter e 1 mil dólares para tentar salvar o negócio da mãe.
É a história que você vê acima, num vídeo produzido pelo próprio Twitter para mostrar o poder da ferramenta. Em troca da compra de livros no lugar, Aaron começou a dar burritos. A ação foi replicada à vontade e assim a livraria teve uma das melhores temporadas de vendas, ganhou clientes novos. Está muito bem, obrigada, há três anos.
Bonita a história, né? Seria legal se todos os donos de pequenas livrarias e sebos conseguissem fazer uso desses recursos, hoje e dia aí tão fáceis de serem aproveitados.
Dica boa da Larissa Brainer, que é cheia dos blogs (aqui e aqui).
Pérolas: noção em falta nas livrarias

Confesso que às vezes eu tuíto pelo @menos1naestante links sem ver direito, pela correria. Mas parece bom e eu repasso logo. Foi o que aconteceu com o blog [manual prático de bons modos em livrarias]. Só fui prestar mais atenção quando o Bonifácio comentou como ele era legal e engraçado. Foi aí que eu chorei, literalmente, de rir, o que é bem incomum.
O blog conta causos de livrarias, e, gente!, eu nunca achei que acontecesse coisas tão surreais nesses ambientes (nem em qualquer outro). É alguém que chega com um livro comprado em outra livraria para embrulhar, no Natal, outro que confunde Eça de Queirós com Rachel de Queiroz (como pode?), e muitos que trocam os nomes das obras cheios de convicção, como pedir o “Capitães de Cobacabana, do Jorge Amado”. Tem noção?
Vale salientar que o senso de humor, o jeito de escrever, e os comentários da pessoa que alimenta o blog colaboram muito para boas risadas. O [manual prático de bons modos em livrarias] recebe também depoimentos dos leitores. E no final, sempre tem uma dica a la moral da história.
No Twitter, o Bonifácio postou os 8 melhores posts para ele, e eu aproveito para linkar aqui, assim ninguém perde de rir um pouquinho (cada palavra é um post): ofélia, alucinação, perguntas, misturado, bulimia, barbas, amém e cheiro.
A imagem também foi de lá.




Márcia Lira. Leitora, blogueira, digital planner, jornalista, viciada em séries e em cinema, não vive sem gente.


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