Um tempo para a leitura
Duas confissões: eu não conhecia o caderno do Estadão chamado Sabático. Nem sabia o que era sabático. Para quem também desconhece o termo: é um período de pausa nas atividades regulares para se dedicar a um projeto pessoal, bem explicado nesta matéria. Então eu me deparei com esse caderno cultural cujo slogan é: Um tempo para a leitura. E essa frase me chamou a atenção mais do que a publicação em si.

Eu tenho uma relação louca com o tempo. Eu me atraso; eu quero fazer mais do que os 60 minutos deixam; eu ainda me frustro constantemente por causa disso. Mas ele continua a passar, e a gente que cuide de fazer boas escolhas e a conviver com elas dentro dos limites dele. Para um jornalista, leia-se profissional-que-deve-saber-de-tudo (um tudo sem limites, já que eles foram quebrados pela internet), essas decisões são ainda mais angustiantes. Quando a gente coloca leitura no meio, então…
Ler realmente pede uma pausa. Lembro de um professor frisar aquele exato momento em que você está lendo um livro e algo nele lhe faz levantar a cabeça. Tem que ter tempo para refletir. Não é como clicar, curtir, retwittar. E esquecer depois.
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Ler em papel ou ler no e-reader? Eis a questão

Quando eu pego qualquer livro, principalmente novo, a primeira coisa que eu faço é sentir o cheiro dele. Tenho toda essa coisa do fetiche com o papel. Então, mesmo muito entusiasta de tecnologia, eu tremia nas bases com essa possibilidade sempre discutida do livro impresso ter fim.
É por isso que a reportagem que fiz para a revista Continente tratou-se também de uma investigação pessoal, eu queria saber como o mercado todo ia ficar com esse boom de leitores eletrônicos e livros digitais. E ao falar com editores e escritores, eu constatei muitas coisas.
Entendi que todos estão acompanhando as mudanças, porque a sabem inevitável, mas cientes de que é o comecinho do processo. Poucos editores conseguem fazer um planejamento de como o mercado de livros vai estar a médio prazo. E, ainda assim, talvez estejam errados. Diferente do que eu imaginava, os escritores parececem muito tranquilos em relação a vender obras digitalmente.
Tive a oportunidade de bater papo como muita gente boa. Eu ri tanto na entrevista com Marcelino Freire, e desenvolvi toda uma admiração ao conversar com Heloísa Buarque de Hollanda, editora da Aeroplano e professora da UFRJ. No final das contas, fiquei entusiasmada para ter um e-reader. Bom, o resto, só lendo a matéria. E depois me digam o que acharam.
A edição de julho tem outras coisas bem interessantes, como um especial sobre “As doenças e a morte na arte” e o artigo “O crowdfounding e a cultura de colaboração”, sobre essa história de artistas que arrecadam dinheiro com os fãs para lançar discos.



Márcia Lira. Leitora, blogueira, digital planner, jornalista, viciada em séries e em cinema, não vive sem gente.


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