Quando uma ficção científica nazista não é bem uma ficção
A tarefa de casa da pós-graduação era escrever uma resenha sobre um produto cultural de um estrangeiro que abordasse o Brasil, a fim de avaliar a relação entre cultura global e cultura local. Decidi logo que seria um livro, pelo projeto #menosumnaestante. E depois de uma consulta aos universitários e algumas opções em mãos, escolhi Os Meninos do Brasil, do norte-americano Ira Levin.
Até quase a metade das páginas, eu pensei que o máximo que ele renderia, além do trabalho, seria um post sobre como é ruim se descobrir lendo um livro ruim. Afinal, eu saí de um Gonçalo M. Tavares. Mas no meio do caminho, a história me capturou e vi que não poderia ser tão injusta. Os Meninos do Brasil não é boa literatura: para vocês terem ideia, costumo anotar num caderninho trechos marcantes das obras, e dessa eu não anotei uma linha. Mas é uma história de ficção científica bem escrita.
No Brasil da década de 70, um médico nazista reúne um grupo de ex-oficiais de Hitler para cumprirem a missão de matar 94 homens de 65 anos em vários países da Europa. É a primeira fase de um plano para instaurar o IV Reich. Pistas dele chegamao judeu “caçador de nazistas” Liebermann, que é o Sherlock Holmes da história. Se não quer saber o final do livro, pare por aqui.
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Márcia Lira. Leitora, blogueira, digital planner, jornalista, viciada em séries e em cinema, não vive sem gente.


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