Posts com a tag "nelson rodrigues"

Ocupação Nelson Rodrigues no Recife

Publicado por em 25/08/2012 | Deixe um comentário

Foto 01: Ivson

Foto 02: Ivson

Cem anos Nelson Rodrigues faria no último dia 23, se vivo estivesse. As homenagens pelo centenário foram muitas na própria quinta-feira, e vão continuar ao longo do ano. Quem leu alguma obra do escritor e dramaturgo (e jornalista e provocador e amante de futebol) sabe que tamanha euforia em torno da data é merecida. E sabe ainda que não estão mentindo quando dizem que ele era um grande investigador da alma humana e seus limites.

Temas duros ganham uma leveza estranha na literatura de Nelson Rodrigues, só para mostrar o quanto estamos envolvidos com loucuras amorosas, sexuais, violentas. Quando li O Casamento, comprovei a admiração que sempre vem junto com o nome do escritor.

O autor de A Vida Como Ela É nasceu no Recife, e, para quem mora aqui, a Torre Malakoff abriga a Ocupação Nelson Rodrigues até 21 de outubro. Uma exposição que o homenageia por meio das suas próprias palavras, memórias e fotos, coletadas em jornais, pôsteres, revistas, entrevistas sonoras, visuais e impressas. Um programa interessante para o fim de semana.

Ocupação Nelson Rodrigues
Visitação pública: 24 de agosto a 21 de outubro
De terça-feira a sexta-feira, das 10h às 19h
Sábados, domingos e feriados, das 15h às 19h
Torre Malakoff (Praça do Arsenal da Marinha, s/nº, Bairro do Recife)
Entrada franca

Via Dulce Reis. Fotos de Divulgação/Ivson.

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De leitor pra leitor, sugestões de presentes

Publicado por em 19/12/2011 | 3 comentários

Vamos lá, que este ano eu estou ajudando com os presentes de Natal. Depois das indicações de mimos aqui, perguntei aos leitores no Facebook, que livros eles gostariam de ganhar? Sugestões colhidas vão abaixo, com preços médios, para você não ir sem ideias para a livraria. Afinal, difícil presente mais certeiro para ambos os sexos do que oferecer uma boa leitura.

Indicações de Filipe Freitas

O Fim da Eternidade é um dos títulos do grande nome da ficção científica, Issac Asimov, que viveu entre 1920 e 1992. É uma das indicações de Filipe Freitas. A outra é As crônicas de Gelo e Fogo (os dois primeiros volumes de 5 lançados, saem por volta de R$ 69,90), do George R.R. Martin, base da série Game of Thrones, que estreou na TV causando alvoroço. Mas se for dar esse, certifique-se de que o seu presenteado ou gosta de ler ou é nerd o suficiente para iniciar a saga com esses dois calhamaços de 500 páginas.

indicações de Daniela Steagall

Nada de Novo no Front (L&PM Pocket, R$ 16), de Erich Maria Remarque, é a primeira sugestão da Daniela Steagall. Publicado em 1929, em um cenário belicoso, é um livro pacifista ao mostrar os horrores do ponto de vista de um jovem alemão. Tem também o clássico celebrado 1984, de George Orwell (Companhia das Letras, R$ 29,90).

Uma resenha do A História Sem Fim (Martins Fontes, R$ 42), de Michael Ende, no Livros e Afins dá uma ideia pra gente do porquê a Daniela o inseriu na lista. Parece que está fora de catálogo, mas na Estante Virtual sempre tem.

É o caso também de O Caçador de Andróides, de Philip K. Dick, sugestão da Aline Beuttenmüller. Esgotado, nem uma imagem decente eu encontrei, só tem alguns exemplares na Estante Virtual (ou talvez num sebo mais próximo de você), com preços entre R$ 25 e R$ 45.

Indicações de Larissa Brainer

Para Larissa Brainer, a lista de presentes cobiçados começam por Daytripper (Vertigo, R$ 52,20), de Gabriel Bá e Fábio Moon, os primeiros brasileiros consagrados com um Eisner, prêmio super importante na indústria dos quadrinhos. Na Revista O Grito, tem uma ótima resenha. O Anjo Pornográfico (Companhia das Letras, R$ 51,21), de Ruy Castro, sobre o escritor e dramaturgo Nelson Rodrigues, é sempre uma boa pedida.

O Apanhador no Campo de Centeio, clássico de J. D. Salinger, sobre o qual você pode ler mais no Digestivo. Dica de Larissa ainda é o mais famoso de Jack Kerouac, On The Road (L&PM Pocket, R$ 19,60), famoso por retratar a juventude pé na estrada nos anos 60. Não é a primeira vez que ele rola por aqui, Catarina sugeriu até um roteiro, começando dele, para entender a geração beat.

Outras indicações de Larissa Brainer

E, por último, Zen e A Arte da Manutenção de Motocicletas, de Robert M. Pirsig, que é meio difícil de encontrar, mas vi por R$ 52 na web. No resumo, “uma viagem de moto feita por um homem e seu filho durante as férias de verão transforma-se numa odisséia pessoal e filosófica”. Pelo jeitão, eu nunca leria, mas se Larissa indicou, eu boto fé.

Obrigada demais a todos que contribuíram! <3

Que você achou? Tem mais sugestões? Vai dar algum de presente? Conta nos comentários!

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Balanço de fim de ano, ambições para 2011

Publicado por em 7/01/2011 | 2 comentários

Abri este espaço há quase 9 meses. Como tudo que é bom, passou tão rápido que nem senti ser tanto. Para marcar o fim do ano começo de 2011, custa nada fazer um balanço do que eu li desde que comecei o Menos um na estante. Afinal, esse blog é em primeiro lugar um projeto egoísta de estímulo à minha leitura, e logo em seguida objetiva incentivar o hábito de todos ;)

Livros lidos em 2010

Nessa brincadeirinha de números, não tem nem graça a quantidade ínfima de títulos que apreciei. Literatura e internet como ferramenta de trabalho são coisas que não nasceram para combinar. Mas a gente força e vai conseguindo, driblando. Teria até vergonha se já não houvesse um pequeno avanço e a consciência de que é um passo atrás do outro.

Todo o fôlego para 2011! Será preciso, pois abaixo estão só as últimas aquisições de fim de ano: uns ganhei de presente, outros o próprio dinheiro me deu. Com algumas mudanças na vida, espero dar mais conta. Se não tivesse às voltas com uma monografia de pós-graduação, traçaria até algumas metas, como a escolha de um clássico. Mas para quê criar objetivos irreais, não?

Livros para 2011

E você, quais foram as aquisições de fim de ano? Quais são as metas de leitura para 2011? Quero saber.

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Difícil escapar ao olhar íntimo de Nelson Rodrigues

Publicado por em 9/09/2010 | Deixe um comentário

Colocada na boca do monsenhor Bernardo, essa é uma das frases mais representativas do que é o romance O Casamento, de Nelson Rodrigues. É uma premissa válida, na minha opinião, para intimidade em geral, a privacidade em segundo, terceiro níveis. Imagine registrar num papel cada gesto, palavra, ou, pior ainda, todos os pensamentos – até aqueles rápidos – de um ser humano. Dificilmente alguém escaparia impune.

"O Casamento", de Nelson Rodrigues

É mais ou menos isso que Nelson Rodrigues faz.

Os personagens não poderiam ser mais triviais: um diretor de uma imobiliária, a filha com casamento marcado, a secretária submissa, a cafetina ousada, o padre conselheiro. Mas o escritor põe ao avesso cada um desses estereótipos mostrando como se encontra obscenidade numa pessoa comum. É bisbilhotando pelo buraco da fechadura, como o próprio dramaturgo define, que ele revela preconceito, adultério, assassinato, incesto, estupro, homossexualismo, e por aí vai.

Nessa minha primeira incursão na obra de Nelson Rodrigues, entendi o estilo único sempre citado quando se faz referência ao brasileiro. É desconcertante a naturalidade com que temas como esses são abordados em O Casamento. Com a propriedade de quem conheceu de perto as mazelas humanas como repórter policial do jornal carioca A Manhã, aos13 anos, o pernambucano descreve um assassinato ou uma orgia como se falasse de uma cena ocorrida num palco teatral.

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Não é coisa de mulher

Publicado por em 3/08/2010 | Deixe um comentário

Esculhambacao

Eu nunca entendi essa cisma com esse verbo e derivados. Tudo bem que ele não é nada bonito, mas tem tantas outras palavras feias que a gente usa sem pudor. Minha mãe sempre teve calafrios nas poucas vezes em que ousei proferir “esculhambado”, “esculhambação”, e reclamava ardorosamente.

E aí Nelson Rodrigues me vem com essa em O Casamento para me lembrar dessa convenção que eu aprendi sem compreender.

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Sobre desculpas, preços e presentes

Publicado por em 16/07/2010 | Um comentário

Descobri, por esses dias, que projeto de ler mais livros não combina com mudar de endereço enquanto se muda de emprego. É tanta coisa gritando por ser arrumada e resolvida, que outras importantes ficam em segundo plano. Ao mesmo tempo, é vida nova, descobertas. Isso só para justificar quase um mês sem postar nada.

Mudando de assunto, eu não costumo comprar livros porque tenho essa meta de ler os que eu já tenho. Curto ir na livraria dar uma olhada e me angustiar por tudo o que eu não estou absorvendo. Então, realmente fiquei espantada com os preços dos livros quando precisei lidar com eles de verdade. Escolhia um para dar de presente, um Érico Veríssimo. (Aliás, presentear com um livro parece algo tão simples. Só parece, porque é difícil descobrir uma obra cuja história gere interesse àquela pessoa em especial. Afinal, ninguém quer dar um presente que não ganhe uso).

Livros novos: "O Homem Proibido", de Nelson Rodrigues; "Só para mulheres", de Clarice Lispector; e "Travessuras da Menina Má", de Vargas Llosa.

Mas voltando ao $$, é difícil achar algo decente por menos de R$ 40. Mas tive que me render. Inclusive, não resisti à capa tão linda desse O Homem Proibido, na foto, que ainda leva a curiosidade de Nelson Rodrigues tê-lo assinado como Susana Flag. Para completar, meu aniversário trouxe acréscimos à estante – que não esvazia na mesma proporção em que enche: Clarice Lispector – Só para mulheres parece ser uma delícia. Imagina conversa de mulher-para-mulher com Clarice? E o outro é Travessuras da Menina Má, de Vargas Llosa, que há de inaugurar minha entrada no mundo desse autor.

E o ano já está no meio.

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Romã fendida

Publicado por em 8/06/2010 | Deixe um comentário

“Glorinha estava na mesa, quieta, os olhos fechados. Ele teve vontade de avançar a cabeça por entre as pernas. O sexo de um rosa vivo de romã fendida. Ali, o cabelo era de um louro, de um louro, não, de um ruivo, sim, ruivo. Por um momento, sonhou com uma posse, não uma posse consentida, mas violenta, cruel. Arrastando-a, nua, pelos cabelos. O seu desejo foi tão brutal que pensou no filho, o filho no necrotério, a cabeça enrolada e um olho aberto, parado de espanto.”

E é porque “ele” é apenas um ginecologista. Delícias de Nelson Rodrigues, em O Casamento.

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Agora eu vou de Nelson Rodrigues

Publicado por em 13/05/2010 | 3 comentários

Que livro ler agora? Indecisa por natureza, confesso que passei alguns dias inertes na dúvida – e naturalmente o blog para de fluir. Aproveitei para diminuir a falta com algumas revistas que também se acumulam na estante. Mas quando você tem muitas opções, o que faz você começar a ler uma obra? Indicação de amigo, crítica, resenha?

Recentemente, tive aula de crítica teatral com um professor absurdo, que é Luís Reis, e percebi a minha falta grave jornalística-literária-dramatúrgica: nunca li nada de Nelson Rodrigues (1912-1980). Então O Casamento, desse grande escritor que explorou a natureza humana de forma única, foi o meu escolhido.

Nelson Rodrigues - O casamento

Em 1943, a estreia da peça Vestido de Noiva no Brasil, texto de Nelson Rodrigues e encenação do polonês Ziembinski, chocou a plateia e a crítica – era modernidade demais. Uma trama que não era linear, misturava violência, incesto e outras podreiras humanas incomodou muito uma plateia acostumada ao teatro onde o “ponto”, um profissional escondido no palco, ainda ditava as falas para os atores. Não é coisa da época, pois há cinco anos na Europa a encenação de outro texto do dramaturgo, O Anjo Negro, continuou sendo um escândalo.

Então isso é (um pouquinho de) Nelson Rodrigues.

E se vocês clicarem acima vão assistir esse bate-papo divertido com duas figuras impagáveis: Otto Lara Resende entrevistando Nelson Rodrigues, que tinha renascido de um coma de 15 dias. A entrevista ainda tem parte 2 e parte 3.

Como se não bastasse, o livro chegou às minhas mãos indicados por duas amigas muito queridas e é de Kleber de Brito. E provavelmente ele só vai descobrir que o “Nelson” dele está comigo se ler esse post (isso me inspirou para um post sobre livros emprestados). Mas prometo que está bem cuidado ;)

E quem aqui já leu Nelson Rodrigues?

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