Brasileiras que merecem um tom de colorido
Se você não conhece o Suplemento Pernambuco, está na hora de conhecer. Hoje mesmo no café da manhã abri uma edição e dei de cara com uma ótima matéria de Talles Colatino, sobre duas autoras brasileiras que fizeram muito sucesso há algumas décadas ao explorar esse limiar complicado entre erotismo/pornografia. Num momento em que todo mundo está lendo 50 tons de cinza, da E.L. James, é muito justo lembrar de Cassandra Rios e Adelaide Carraro, que caíram nas graças do público e de toda uma geração com suas obras. Vale muito a pena ler a matéria – e todo o suplemento, que sai mensalmente e está todo disponível online.
Ah, e as imagens lindas que ilustram a matéria são da Hallina Beltrão.
Os best-sellers de cada geração
“Se quisermos executar a mesma fórmula que nos anos 2000 deu a J.K. Rowling mais dinheiro do que ela (ou qualquer pessoa) precisaria ganhar, é necessário entender que a diferença entre vender milhões de exemplares ou apenas alguns milhares está, não na capacidade de formatar as palavras com precisão, mas de dizer aquilo que uma geração necessita ouvir/ler com urgência. Só assim justificamos a existência de outros ‘fenômenos’ do gênero.”
Não só é difícil dar vencimento na estante com livros, mas na prateleira de revistas também. Então às vezes eu vou e pego um número antigo, cujo conteúdo é atemporal. O caso do Suplemento Pernambuco nº 38. Nele, tem um texto delicioso de Flávia de Gusmão, Os zíperes abertos de uma geração, de onde tirei o trecho acima. É sobre um best-seller dos anos 70, sobre liberação sexual feminina escrito por Erica Jong: Medo de voar.

Soou pra mim bem revelador esse raciocínio do sucesso pela identificação de um grupo, pela representação de uma época. Daí eu me perdôo um pouco mais por ter passado tanto tempo na adolescência enchendo meus ouvidos de pagode, e fico mais atenta pra o porquê de minha irmã ter lido duas vezes cada livro da saga Crepúsculo ou gostar de artistas como Luan Santana.
Foto: Helga Weber




Márcia Lira. Leitora, blogueira, digital planner, jornalista, viciada em séries e em cinema, não vive sem gente.


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