É meio do ano: como estamos de leitura?
Como é que vocês estão de leitura? Quando julho começou, bateu a reflexão: estamos no meio do ano, e é claro que eu não fiz tudo o que queria. Como passa rápido! Em relação à ~dívida~ com a minha estante, estou aquém do que pretendia quando 2012 começou. Mas sabe do que mais? Estou cansada de me sentir insatisfeita com o que eu consigo fazer no tempo que tenho. Então a verdade é que li bem mais do que em 2011, e isso é um avanço.
E tenho aprendido um bocado sobre “eu leitora”. Por exemplo, simplesmente não consigo emendar um livro no outro, tem que ter um tempo aí no meio. A impressão é de que ler é algo tão envolvente, mas tão envolvente, que não dá para sair de um universo literário e entrar logo em outro. Por isso que eu me encontrei no mundo, quando vi essa imagem:
E para escrever, então? Difícil é postar sobre uma obra logo que termina a última página do livro, preciso de alguns dias ou semanas maturando o que acabei de absorver. Para sistematizar a lista, imitei a ideia do Isaac Sabe: criei um álbum no Facebook com fotos dos livros que eu li esse ano. E vou acrescentando à medida que a lista aumentar.
E você, o que leu esse ano?
Gif animado do Breathing Books. E imagem via Felipe.
Fim do dia. Fim do mês. Fim do ano.

E vamos que vamos! A gente não está satisfeito com o que tem feito, mas está sempre disposto a fazer melhor. E aos pouquinhos, faz.
Livro + relógio: uma agonia

Foi tanta identificação com essa foto, que eu estou aqui postando ela às 2h da madrugada. Amanhã serei pura cantiga de ninar. A ideia dos livros registrando o passar das horas, o passar do tempo e eles continuam lá na estante para serem lidos. Prioridades, procrastinação, preguiça. Pode dar o P que quiser, ou a falta dele, o certo é que é uma luta constante. Uma agonia.
No fim de semana, eu decidi me desapegar e simplesmente ler o que eu estava a fim: A mulher de vermelho e branco, do Contardo Calligaris, que ganhei de aniversário. Deixei um pouquinho o Vargas Llosa de molho. Mas não me arrependi pois de uma sentada só li 60 páginas, e fazia tempo que isso não acontecia. Depois conto mais.
Por sinal, o Calligaris vai participar de um bate-papo no 9o Festival Recifense de Literatura – A Letra e a Voz, no sábado (27/08), na Livraria Cultura.
Ah, o livro-relógio foi dica de Dulce e está à venda na Amazon. É obra do Shokoofeh Z. Dezfuli.
Um tempo para a leitura
Duas confissões: eu não conhecia o caderno do Estadão chamado Sabático. Nem sabia o que era sabático. Para quem também desconhece o termo: é um período de pausa nas atividades regulares para se dedicar a um projeto pessoal, bem explicado nesta matéria. Então eu me deparei com esse caderno cultural cujo slogan é: Um tempo para a leitura. E essa frase me chamou a atenção mais do que a publicação em si.

Eu tenho uma relação louca com o tempo. Eu me atraso; eu quero fazer mais do que os 60 minutos deixam; eu ainda me frustro constantemente por causa disso. Mas ele continua a passar, e a gente que cuide de fazer boas escolhas e a conviver com elas dentro dos limites dele. Para um jornalista, leia-se profissional-que-deve-saber-de-tudo (um tudo sem limites, já que eles foram quebrados pela internet), essas decisões são ainda mais angustiantes. Quando a gente coloca leitura no meio, então…
Ler realmente pede uma pausa. Lembro de um professor frisar aquele exato momento em que você está lendo um livro e algo nele lhe faz levantar a cabeça. Tem que ter tempo para refletir. Não é como clicar, curtir, retwittar. E esquecer depois.
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Márcia Lira. Leitora, blogueira, digital planner, jornalista, viciada em séries e em cinema, não vive sem gente.


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