João Lucas, o devorador de histórias
Quem assistiu ao Fantástico no último domingo, deve ter ficado tão impressionado quanto eu com a façanha do menino de 7 anos que leu mais de 500 livros em um ano. Gente, que humilhação (risos). Com esse ritmo, João Lucas é um leitor que provavelmente nunca se interessará pelo Menos um na estante! Brincadeiras à parte, encontrei a reprodução da matéria no YouTube e vale a pena conhecer a história dele.
Ao que me parece, João Lucas é um caso à parte por ser um pequeno gênio. Devora livros, se destaca em gramática, em música e nas atividades físicas. Mas vale observar o ambiente potencializador que ele encontrou em casa, com o pai lendo para o filho desde que ele estava em gestação. A família toda colocou metas em conjunto, de ler um livro por mês. Como o próprio pai do prodígio fala, para Lucas os livros são brinquedos. Algo que certamente influi no resultado que os pais sempre esperam: o de ter filhos leitores.
Outra coisa que me chamou a atenção é quando o repórter pergunta o que é ler pra ele, e ele responde: “Ler é imaginar coisas”. Pois é, deixar o pensamento livre. Vamos nos inspirar?
Quem me avisou da matéria foi Dulche.
Quando booktrailers valem a pena
Um belo dia eu me deparei com um trailer de livro, e achei algo muito esquisito. Como assim, trailer? Livro ganha primeiro capítulo à disposição, entrevista com o autor, frases de efeito, não trailers que pertencem a outra mídia. Depois eu descobri que eu conheci o formato um pouco atrasada, ele já era tendência.
Hoje é muito comum uma editora divulgar uma obra com um trailer. Para se ter ideia tem até um prêmio para o formato, o Moby Awards. A sensação de estranhamento, no entanto, ainda me acompanha. Demorei a decidir se gostava ou não dessa ideia, até dar uma boa pesquisada e tirar algumas conclusões.
Uma das mais fortes características de um livro é abrir espaços na narrativa para que a gente complemente com a nossa imaginação. Então se o autor escreve: “a mulher entrou na casa”, nós pegamos essas cinco palavrinhas e somamos a elas nossas referências, criando identificação. Isso me leva a ter uma ideia de “a mulher entrou na casa” bem diferente da que você absorve da mesma frase. Agora imagine expressões mais complexas e multiplique as possibilidades.
Então a meu ver, o principal problema de um booktrailer é quando ele encerra esses espaços abertos dos livros. Como? Num vídeo de três minutos, dá cara, voz e jeito aos personagens, aos lugares, aos grandes momentos da obra. Depois você vai ler com aquilo na cabeça, e a percepção será mais limitada, totalmente diferente do que você teria sem ter assistido.
Um exemplo é esse de Sangue Errante, de James Ellroy. Parece trailer de filme.
Tem também uns formatos piores que só fazem você perder tempo, pois eles colocam no vídeo o que poderia muito bem estar escrito, o famoso videopoint (vídeo de powerpoint). Conheci um desses numa, pasmen!, lista de melhores booktrailers de um blog. The Iron King, de Julie Kagawa, tem um trailer que é um colagem cafona de frases e imagens. Só consigo pensar que o livro é péssimo. No mesmo estilo, fizeram pra Angel Time, da Anne Rice. Please, economizem meu tempo.
O Sérgio, do Todo Prosa, blog que adoro, acredita que o booktrailer é um conceito ridículo. Pelos exemplos que ele pegou e pelos que coloquei até agora, eu concordaria se não tivesse me deparado com umas ótimas amostras.
O Triste Fim de Policarmo Quaresma, de Lima Barreto, ganhou uma animação simpática, que apesar de dar cara e voz aos personagens, vira um captador de atenção das crianças para a obra. O objetivo está no final: leia na biblioteca da sua escola.
Agora os formatos que me parecem ideais, e eles justificam a existência dos trailers de livros, é quando o vídeo vira uma obra à parte. Ou seja, tem uma certa autonomia em relação ao livro. Não apenas conta uns pedaços e joga umas frases, mas faz uma mini releitura assumindo que utiliza um formato diferente e explorando isso para atiçar a curiosidade do leitor.
Leia mais
Como ler um livro
Depois de assistir a esse vídeo é que eu me dei conta de como realmente é ruim encontrar posição pra ler. Mesmo num lugar confortável como uma poltrona (o meu lugar preferido), se a história é boa, o corpo acaba cansando. Ainda bem que vale a pena.
Mais posições pra ler aqui.
Dica de Tarrask.
Inspire-se
A questão nunca é se o livro inspira, mas como? Essa função irrevogável ganhou uma representação pela editora Hachette Australia, que montou num galpão vazio esculturas com livros e o que eles representam. Com novos livros vêm novos sentimentos. Veja e inspire-se.
Via Flavorwire. Dica de Dulce.
Muito melhor agora (ou o marcador de livros surfista)
Sabe aqueles 10 minutos que você vai tirar pra tomar um café e comer uma bolacha? Ou a hora do almoço, ou qualquer pausa vai ficar mais feliz com esse curta da produtora Salon Alpin, dirigido por Philipp Comarella e Simon Griesser. O principal personagem de Much Better Now é um marcador de livros, preso numa calhamaço esquecido num quarto abandonado. Até o dia em que uma ventania muda a ordem das coisas e ele descobre a delícia que é viajar surfando nas páginas do livro.
Much Better Now from Salon Alpin on Vimeo.
Qualquer analogia com os livros e seus donos não é mera coincidência. A sensação de quando a gente tira aquele livro da poeira, do mofo, de estar fechado por trocentos anos e descobre as coisas maravilhosas que tinham ali dentro, isso influencia no que somos e fazemos. Vejam. E se amarem, não percam o making of.
O Inverdades e o videocast de literatura
Então eu estava em dúvida sobre qual dos trocentos temas que tenho na manga eu escolheria para o próximo post (sim, assunto não falta, o que escapa é o tempo, mas não me lamentarei), quando Tarrask me mostrou o último videocast do Isaac Sabe! A Luara, que conheço só de trocar ideias entre blogs de livros na internet, falou sobre o Inverdades, o segundo e último livro do Alex Luna (lá pelos 11 minutos e meio).
Tive o prazer e a ótima experiência de ler e revisar o Inverdades, a pedido do autor e amigo. E desde então há uma resenha por escrever aqui no blog. Não sei o que acontece, tenho algumas travas para falar sobre os livros que acabei de ler, como se precisasse de um tempo de ruminação. Posso dizer que o farei o quanto antes, e enquanto isso não acontece o meu conselho é que comprem o livro porque vale a pena. E vão lendo para que possam discordar ou concordar quando eu disser o que achei ;)
Mas voltando ao vídeo, eu sabia que o Isaac Sabe! tinha iniciado o programa no YouTube, mas só hoje assisti. A surpresa foi muito grata. Primeiro porque a Luara é desenroladíssima na frente da câmera, tem uma voz boa, ritmo, uma ironia bem divertida e a edição é legal. Ou seja, cansativo é adjetivo que passa longe dos 15 minutos de programa. Segundo que as observações sobre os livros são muito interessantes, ela indica só o fino da bossa como Asimov, Lobo Antunes, ou o Laranja Mecânica. E só pra completar, a Luara ainda é uma fofa. O videocast tem mais uma fã.
Quando eu crescer, quero fazer um programa legal assim. Sério.
Tem outros videocasts (ou podcasts) de literatura que vocês recomendam?
A saga de um Penguin
A editora Penguin Books, que comprou 45%, quase a metade, da Companhia das Letras no final do ano passado, lançou uma animação fofa para marcar a abertura da Penguin English Library. Não uma animação qualquer, uma curta, psicodélica e colorida criada pelo premiado diretor Woof Wan-Bau. Se você acompanha o imperdível Trabalho Sujo, já deve ter visto, mas se não, não perca a saga do pinguim leitor.
Por que existe o cheiro do livro?
Toda vez que se fala em livros digitais vs. livros impressos, o cheiro dos livros é um argumento recorrente a favor do segundo. E isso sempre me lembra o escritor Marcelino Freire, quando entrevistei ele sobre o assunto há algum tempo, ele dizendo algo como “o pessoal fica falando em cheiro do livro, eu não tenho apego nenhum a essa história. Qualquer coisa, se cria uma essência!”, para depois rir bastante. É a ideia de que o que mais importa é a literatura.
E faz todo o sentido racionalmente. Mas pra quem não pensa tão racionalmente assim e ama o cheiro de títulos novos ou velhos, eu inclusa, o vídeo acima é irresistível. A Abe Books decidiu explicar o processo e as reações químicas que levam os livros a ter esses cheiros. É todo em inglês, mas dá pra ver uma legenda desarrumada clicando em “cc” no player.
Vi no imperdível Update or Die, dica de Adelmo.











Márcia Lira. Leitora, blogueira, digital planner, jornalista, viciada em séries e em cinema, não vive sem gente.


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