O cara que transformou uma boca de fumo em biblioteca
Cacau Gomes achou um livro de Cecília Meireles no lixo, aos 12 anos, e entrou de vez no mundo da poesia. Depois veio Manuel Bandeira, Carlos Drummond de Andrade. Ficou encantado em meio à sua realidade difícil: morador de extintas palafitas, na comunidade de Brasília Teimosa.
Trabalhou de pedreiro e office boy, o que pode para se virar. Enquanto isso, alimentou um sonho ao longo de 15 anos, fazendo poesia e juntando obras, ora comprando quando podia, encontrando no lixo: “Literatura, rapaz, aqui no Brasil é lixo, né?”. Até que abriu as portas de casa para receber as pessoas da comunidade que queriam ler.
A demanda foi aumentando e ele conseguiu comprar um espaço à esposa de um traficante, que tinha sido assassinado. Hoje a Livroteca Brincante do Pina é referência, é um ponto de leitura do Ministério da Cultura, motivo de transformação para as pessoas, esperança para muitas crianças. É essa a história que o vídeo conta, vale a pena ver.
A imagem não está boa. Mas quem se importa?
Leia o livro e veja o filme indicado ao Oscar
Quase que eu desistia de fazer esse post depois que vi o último causo do Manual prático de bons modos em livrarias. Mas, não vou mentir, uma das minhas obsessões é fazer um leia-o-livro-veja-o-filme, e incrivelmente eu nunca consegui fazer isso. E aí chega nessa época do ano e você ainda tem a oportunidade de fazer um especial do Oscar!
Os indicados já saíram e entre eles alguns são filmes adaptados de obras literárias. Considerando que a premiação é dia 26 de fevereiro, há aí pouco menos de um mês para escolher algum dos livros abaixo, depois ver o filme e fazer as apostas.

Os descendentes (Alfaguara, R$ 34,90), de Kaui Hart Hemmings
No livro da americana, o Havaí como cenário da história de uma família incomum, chefiada pelo personagem vivido por George Clooney nas telonas. O filme é dirigido por Alexander Payne e concorre nas categorias de melhor filme, direção, ator, roteiro adaptado e edição.
O espião que sabia demais (Record, R$ 44,90), de John Le Carré
O clássico ganhou nova edição com capa caprichada depois da adaptação. O filme é sensacional, espionagem à moda antiga, no que a expressão pode ter de melhor. É daqueles que fazem a gente colocar a cuca pra funcionar para desvendar o que está acontecendo. Então, com a teoria de que o livro é sempre melhor, imagino que a obra do Le Carré seja imperdível. Concorre nas categorias ator para o mestre Gary Oldman, roteiro adaptado e trilha sonora.
Os homens que não amavam as mulheres (Companhia das Letras, R$ 42), Stieg Larsson
Quem nunca ouviu falar na trilogia Millennium? Impossível. São três best-sellers escritos pelo sueco que mal aproveitou a fama, pois faleceu em 2004. Os homens que não amavam as mulheres é o primeiro deles, e foi adaptado por Hollywood, depois de uma versão da Suécia/Dinamarca/Alemanha. Cheio de estrelas, concorre nas categorias de atriz, fotografia, edição, edição de som e mixagem de som.
Os fantásticos livros voadores do Mr. Morris Lessmore
Ficou difícil falar de The Fantastic Flying Books of Mr. Morris Lessmore, de tanto que eu chorei gostei. O curta-metragem de animação tem 15 minutos e é lindo. Uma mistura perfeita, como explica a própria descrição do vídeo, de inspiração no ator e diretor de comédias mudas Buster Keaton, na passagem devastadora do furacão Katrina por Nova Orleans, em 2005, no clássico O Mágico de Oz, e em um amor pelos livros sem tamanho.
Para lembrar como as histórias podem nos renovar, e como os livros ganham vida quando em contato com nós, leitores.
O premiado autor e ilustrador William Joyce e o co-diretor Brandon Oldenburgum usam várias técnicas como miniatura, animação 2D, animação por computador para criar um filme que, sem dúvidas, vai entrar nos favoritos de qualquer amante de livros. É pra guardar e mostrar às crianças.
UPDATE: O filme está concorrendo ao Oscar 2012 de melhor curta-metragem de animação. Merecido, né? Edu Rocha que me deu a informação.
Um link com qualidade Dulce Reis, do LikeCool.
Quando a livraria fecha, a alegria dos livros
Um casal dono de uma livraria independente de Toronto, Canadá, decidiu gastar algumas (dezenas, acredito) noites em claro para fazer esse vídeo em stop motion. Puro presente para os leitores, contando o que os livros fazem dentro quando a livraria está fechada e todos dormem.
Como amor a livros é coisa séria, o casal contou com uma lista de leitores voluntários que ajudaram mexendo e remexendo os livros ao som da trilha sonora simpática. Tudo está à venda lá. Pela postagem deles no Twitter @typebooks, parece ser mais um caso de livraria com dificuldades de se manter, eles pedem que as pessoas comprem livros.
Espero que dê certo, pois pelas cenas, o lugar entra fácil na listinha das livrarias do mundo que valem uma visita. Quem sabe um dia?
E, para completar, simplesmente três leitores indicaram o Joy of Books para o Menos um na estante: obrigada, Isabela, Ana e Valentine!
Matilda é quem sabe das coisas
Matilda não queria saber de TV, aos 4 anos. Ela gostava mesmo era de ler, resistindo inclusive ao pai, que estranhava a atitude da menina. Ela começou a frequentar a biblioteca pública de um jeito tão intenso que antes mesmo de entrar na escola, já tinha lido Charles Dickens, Jane Austen, Ernest Hemingway, George Orwell.
É essa personagem superdotada e fofa que eu quero deixar pra vocês no fim de semana. Tenho uma vaga lembrança do filme Matilda (1996), provavelmente de alguma Sessão da Tarde. É uma adaptação do livro de mesmo nome do britânico Roald Dahl, cuja cabeça também criou A Fantástica Fábrica de Chocolate. Ele viveu entre 1916 e 1990, e tem um site bem divertido em sua homenagem.
Fisgado do Twitter da @andreiabelmonte.
“Não consigo parar de adquirir livros”
The Library é um curta de 10 minutos de Sergey Stefanovich, sobre a casa do escritor Duncan Fallowell. Depois de perceber que tinha preenchido todo e qualquer espaço vazio com os livros que adquiria, ele decidiu torná-la uma instalação artística.
A obra de arte é registrada pelo diretor, e é a voz do próprio Fallowell que a gente escuta falando sobre a sua relação com os livros e com a vida, enquanto as imagens conduzem a um passeio pela casa. Bem bonito. Em inglês.
Dica boa do Tarrask.
Feliz Natal ou Uma noite para ter um bom momento
Hoje é dia de reencontrar pessoas queridas que não vemos há tempo, para ouvir aquelas histórias repetidas de todo encontro em família, de tentar deixar de lado os pensamentos tristes, focar no que há de bom, daquele olhar, mensagem ou telefonema cheio de afeto para quem é importante. Dia de comer coisas gostosas, trocar presentes, abraçar e beijar.
Com esse comercial envolvente, que eu vi na fan page do MPBML, e com essas árvores criadas com livros, eu quero desejar que vocês – visitantes, leitores, amigos -, tenham ao menos um momento bonito, que reflita no ano que está chegando. Vale até uma horinha com aquele livro preferido aberto.
Feliz Natal.
Pra não deixar para depois
É isso que você faz quando não abre o livro naquele momento em que você pensou em fazer. Procrastinar é, segundo o dicionário, “transferir para outro dia ou deixar para depois; adiar, delongar, postergar, protrair. ” Infelizmente, eu me identifico com a palavra. Não é à toa, que Dulche sempre manda coisas de procrastinação pra mim. O vídeo veio do Trabalho Sujo, em inglês.






Márcia Lira. Leitora, blogueira, digital planner, jornalista, viciada em séries e em cinema, não vive sem gente.


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