Inspiração em um minuto e meio
Para começar o domingo (porque domingo bom é esse que começa depois das 11h da manhã), esse micro-metragem, de Leonardo Lacca, do Café Castigliani. Um deleite para quem gosta de café, pura inspiração em 1min30s. É o primeiro capítulo da série Mundo Café, os próximos deverão ser postados na fan page deles. Em tempo, o Castigliani tem um ambiente aconchegante e é, sem dúvidas, um dos melhores lugares no Recife para se desfrutar de uma xícara.
Dica de Ana Braga.
Uma livraria salva por um tweet
A Broadway Books era uma livraria independente em crise, em Portland, Oregon, nos Estados Unidos. Infelizmente, uma situação cada vez mais comum no mundo diante da força dos grandes magazines de livros. Quando Roberta Dyer, a proprietária, contou a situação ao filho, o motivou a usar o Twitter e 1 mil dólares para tentar salvar o negócio da mãe.
É a história que você vê acima, num vídeo produzido pelo próprio Twitter para mostrar o poder da ferramenta. Em troca da compra de livros no lugar, Aaron começou a dar burritos. A ação foi replicada à vontade e assim a livraria teve uma das melhores temporadas de vendas, ganhou clientes novos. Está muito bem, obrigada, há três anos.
Bonita a história, né? Seria legal se todos os donos de pequenas livrarias e sebos conseguissem fazer uso desses recursos, hoje e dia aí tão fáceis de serem aproveitados.
Dica boa da Larissa Brainer, que é cheia dos blogs (aqui e aqui).
Manual, humor e tolerância zero
Quase não postava hoje porque passei o dia com um humor… Mas agora à noite melhorou um pouco, e, para ajudar, dei uma passada no Manual Prático de Bons Modos em Livrarias. Diversão garantida, com os causos de fregueses e livreiros. Coisas inacreditáveis. Falei dele por aqui já, mas vale lembrar. O blog da Hillé ganhou um novo layout caprichado e uma fan page bacana pra você ver as atualizações.
Foi lá que eu vi esse episódio do Tolerância Zero, do Zorra Total, sobre bibliotecas. Comédia demais. Tudo bem que é Zorra Total, eu sei. Mas o quadro do Seu Saraiva com o ótimo Francisco Milani, falecido ano passado, vale.
Poetas, como a cegueira, podem ver no escuro
Tem tanta beleza nesse filme que é difícil dizer. Encontrei com ele, o vídeo, no Brainstorm9, e não resisti a trazê-lo. É impressionante como qualquer coisa ligada a Jorge Luis Borges (é dele a frase do título), qualquer texto, poema, vídeo, mesmo apenas inspirado nele, mesmo na internet, coloca a gente longe da superficialidade.
Então, o Ruschel é brasileiro e decidiu fazer essa homenagem ao argentino. Buenos Aires: Las Calles de Borges tem uma música que convida à imersão, imagens simples cuidadosamente amarradas. Há a personalidade e charme de Buenos Aires e a figura de Borges, remetendo a toda a sua obra, sem dizer praticamente nenhuma palavra. Um filme apaixonado pelo autor e pela vida.
Curte Borges? Tem mais aqui.
Gasta de tanto acostumar
Pronunciando cada palavra com uma firmeza desconcertante, Antônio Abujamra faz a gente não querer mais se acostumar com nada nessa vida. No vídeo do programa Provocações, ele dá vida ao texto Eu sei, mas não devia, de Mariana Colasanti. Caberia bem um “a gente se acostuma a deixar os livros empoeirados na estante e as leituras para depois”, entre outras “acostumações” de leitores. Você citaria uma nos comentários?
Vídeo chegou no meu e-mail por Tiago Martins.
Os argumentos sobre o futuro do livro
Quando me deparo com as questões livro em papel x livro digital, fico muito aberta aos argumentos e às possibilidades. O fato de estarmos em pleno momento de transformação torna muito mais difícil ver as coisas com clareza. Para ajudar, aparecem com frequência coisas legais como essa reportagem do programa ModMTV, ótima dica de @adelmovas (depois de ver oo bloco 1, passem para o 2).
Diferente de muitas reportagens que nascem para provar uma teoria, se é que vocês me entendem, essa conseguiu mostrar pontos de vista interessantes, tanto apontando para o fim do livro em papel quanto para o lado inverso. Uma das coisas que mais me chamaram a atenção foram a considerações da Ann Thornton, da Biblioteca Pública de Nova York, uma das primeiras a participar do projeto de digitalização de livros do Google, hoje a que tem o maior acervo digital dos EUA, uns 400 mil livros. Ela notou que a procura pelos livros digitais cresceu bastante, mas o aumento é observado em relação ao formato tradicional também: “As pessoas estão visitando a biblioteca e retirando livros impressos mais do que nunca em toda a nossa história. Os números cresceram no geral, no impresso e no digital”.
Uma corrente acredita que títulos mais científicos e universitários farão o sucesso do formato digital, pois são livros pelas quais as pessoas não têm apego emocional, fetiche. E então vem esse estudante entrevistado e diz justamente o contrário: livros de leitura, tudo bem nos e-readers, mas os de estudo, melhor fisicamente para grifar as coisas, fazer anotações, rasurar. Enfim, ele acha o palpável importante para o aprendizado.
Outra coisa que me surpreendeu foi ver as pessoas sempre falando do ato de “virar a página” quando se referem ao apego ao livro de papel, enquanto aqui no Brasil o unânime é citar como é legal o “cheiro do livro”. Será que é cultural?
Vale também ler o depoimento de adepto aos e-readers que o @tarrask deixou aqui no blog, dia desses.
Impressão e nostalgia
Vídeo simpático sobre o processo de impressão tipográfica, tão leve e lúdico. É pura nostalgia. Não sei porquê achei que cairia bem nesta noite dominical. Dica de Dulce.
Sobre cinema, Meia-Noite em Paris e Dorian Gray

Hoje é domingo, dia de cinema (como todos os dias). Amo filmes, assim como livros, café e outras coisas, e não tem essa semana em que eu não veja um. Embora goste e estude crítica cultural, me permito ter uma relação bem mais leve com a sétima arte: ver, curtir e ficar satisfeita. O filme não tem que dar um novo sentido à vida, sou fã de comédias românticas, filmes de ação, suspense, super-heróis. Só não pode fazer a gente de idiota.
Quando o filme é denso, fica remoendo na cabeça, faz pensar sobre a vida, levanta questões para discutir na mesa de bar ou num café, também é uma delícia (ou até doloroso). Como eu sou desmemoriada, um grande critério de avaliação é eu lembrar do filme depois de um tempo. Nem que seja de uma cena, um personagem, uma ideia. E eu duvido que eu vá esquecer de Meia-noite em Paris.
É difícil eu não gostar de filmes de Woody Allen, porque eles sempre abordam relacionamentos, colocam uma lupa nas pequenas coisas, e são cheios de referências interessantes. Mas esse é especial, porque é pra se encantar. É o deslumbre por Paris – as luzes, as ruas, os hábitos -, pela inspiração artística que a cidade e seu imaginário trazem, pelo movimento cultural da capital francesa dos anos 20 (leia ótima matéria no Jornal Opção).
Owen “nariz torto” Wilson vive Gil, um roteirista de Hollywood cujo sonho é ser escritor (acabo de me lembrar do George RR Martin, ex-roteirista de TV e agora autor da saga Game of Thrones). Ele visita Paris com a noiva, e encontra não só inspiração, amor, mas também grandes nomes da literatura, música, artes plásticas do começo do século, de uma maneira que só assistindo para entender. Imagina tomar uma com Hemingway? Curtir a festa do casal Zelda e Scott Fitzgerald, tergiversar com Luis Buñel, saber as opiniões de Gertrude Stein, Cole Porter, Pablo Picasso, Salvador Dalí. Enfim, vale a pena cada $$ da entrada.
Outro filme literário em cartaz nos cinemas é a adaptação de O Retrato de Dorian Gray, clássico do Oscar Wilde de 1890. Na verdade, a décima adaptação. Você já viu alguma? Pretendo conferir, mas sem tantas esperanças de ver um bom filme (esse cartaz aumentou meu preconceito), embora ele conte com o Colin Firth (O Discurso do Rei) num papel secundário. O triste é que o longa, dirigido por Oliver Parker, é de 2009 e só estreou no Brasil agora.
“Percebeu que ficaria louco ou doente, se continuasse pensando no que havia acontecido. Pecados havia cujo fascínio era maior pela recordação do que pelo ato em si mesmo (…) Mas aquele não era desse tipo. Era uma lembrança que devia apagar de sua mente, adormecê-la com ópio, aniquilá-la enfim, mas não se deixar aniquilar por ela.”
Trecho do único romance de Oscar Wilde, que li há uns dez anos e gostei muito. É uma história pesada, sobre um jovem bem posicionado na sociedade, que vive de glamour, e arruma um jeito sombrio de manter sua beleza física intacta enquanto, por dentro, definha. O personagem é complexo, e explora bem essa tensão, que vivemos, conscientemente ou não, entre o que somos e que aparentamos ser. E tendo como pano de fundo, toda a rigidez e mistérios de uma Inglaterra no século 19.






Márcia Lira. Leitora, blogueira, digital planner, jornalista, viciada em séries e em cinema, não vive sem gente.


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